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:Quem é essa garota?:
Priscila, 25, capixaba de olhos negros e riso solto
Concebida em Salvador, mas com alma cosmopolita
Direito no diploma, carreira diplomática na cabeça, concursos para alcançar isso
Paixão por línguas; inglês é bom pro chat, alemão, pro coração
Camarão, pão de queijo com manteiga, mas pizza sem catchup ou mostarda
39 no pé, magra sempre esbelta, loira desde penúltimo março
Piano clássico por dez anos, fotografia nos planos, pintura e cinema nos sonhos
Phil Collins, Bryan Adams, Rod Stewart, Rick Astley e o que mais a agradar
Inteligente, insegura, engraçada e fiel
Temperamental, impulsiva, mal-humorada e melancólica
Melhorar sempre é uma ordem
Deus está sempre ao seu lado
Agradece a você, que faz esse blog mais feliz!
:Status:




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Ponto.de.Encontro
"Mais que vencedor eu sou!"
(Rom.8:37)
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Segunda-feira, Maio 30, 2005
O sonho
Na viagem de ida à Guarapari...
Minha mãe: Eu sonhei que um rapaz queria me beijar. Ele era moreno, de cabelo encaracolado e tinha uns dentes lindos...
Meu pai: (curioso) E você gostou?
Minha mãe: (contente) Claro que gostei! Vê se eu não ia gostar de um rapaz mais novo querendo me beijar?
Meu pai: (curioso) E você era nova?
Minha mãe: (divertida) Ah, eu não sei! Em sonho a gente lá sabe se é nova ou velha?
Meu pai: (implicante) Eu vou entrar nesse sonho...
Minha irmã: (irônica) É pai, entra e avisa para ele que ele errou de porta e tinha que entrar no meu quarto e de Pri.
Eu: (implicante) Freud explica, né mãe?
Minha mãe: (olhando para mim e exibindo um sorriso largo e sapeca, acenou a cabeça enfaticamente, concordando)
8:00 AM
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Quarta-feira, Maio 25, 2005
À luz do dia
O dia estava quente e claro, e eu atravessava distraída o estacionamento em frente ao fórum. De repente, tive por um momento a sensação de ter ouvido meu nome. Não me voltei para olhar e continuei o caminho até a entrada do prédio. Estava arrumando as minhas coisas na mesa, já dentro da sala de audiência, quando entrou Dr. Vicente, agitado. Priscila, eu fiquei te chamando no estacionamento e você nem me ouviu! Fiquei lá: Priscila! Priscila! Igual a um doido e você nem prestou atenção! Comecei a rir. Dr. Vicente gritando meu nome em pleno estacionamento à luz do dia? Inacreditável! Mas era verdade, não só porque eu tinha tido a sensação de ouvir alguém me chamar mas também porque - e esse é o detalhe mais importante - embora estivesse brincando e disfarçando, ele estava visivelmente desapontado com a minha distração. Fiquei até me sentindo levemente culpada por não ter me voltado para olhar, ao mesmo tempo em que me diverti imaginando a cena surreal de um homem de terno gritando sozinho - e em vão - só para chamar minha atenção.
7:20 AM
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Segunda-feira, Maio 23, 2005
Sem siso
O promotor olhou para mim desconfiado. Tá com dor de dente? - perguntou. Não, respondi, tirei os sisos... A expressão dele logo mudou. Espirituoso e alegre, disse: Tirou o siso? Ah, então agora você está sem juízo nenhum! E como é que vai ser? Priscila sem juízo? Ih, isso não vai dar certo! O juiz entrou na sala e ele logo chamou a atenção do colega para mim: Olha só, Franklin, ela tirou os sisos! Agora tá um perigo, sem juízo nenhum! Dr. Franklin me deu uma olhada distraída, sem querer prestar muita atenção ou fingindo não prestar nenhuma. Ele não tinha notado (e nem iria notar, se o promotor não tivesse comentado) o lado direito do meu rosto um pouco inchado. Mas Dr. Vicente...ah, ele não tinha deixado isso passar!
Durante as audiências anteriores deve ter ficado reparando, nos momentos em que me levantava para entregar as atas para as partes e os dois assinarem, e ficou morrendo de vontade de perguntar o que era aquilo. Foi só dar um intervalo para ele soltar a perguntar e matar a curiosidade. E durante os dias que se seguiram não me deixou em paz, só dizendo que eu estava sem juízo algum. E eu ria, achando engraçadíssimo aquele homem alto, magro e de belos olhos agir de forma tão boba.
Quando o conheci ainda estagiava no cartório e não gostei dele. Achei-o antipático e exibido. Ele, sensitivo, deve ter percebido, mesmo porque eu não fazia a menor questão de ser simpática com ele. Quando fui estagiar no gabinete do juiz, fez o possível para conquistar minha simpatia...e conseguiu. Acabei aprendendo a gostar dele, e passei admirá-lo pela postura humana com que tratava as pessoas com as quais lidava. Mas mais engraçada que essa historia do siso foi o dia em que...ah, depois eu conto.
(Viu, Raf? Segui sua dica :p)
8:46 AM
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Sábado, Maio 21, 2005
Mais um!
Quando fiz meu segundo furo nas orelhas, há uns dois anos atrás, minha mãe chiou. Ficou reclamando e dizendo que "quem fica se furando é porque não se gosta". Mas quando eu coloquei o brinquinho que um amigo tinha me dado, e ela viu a combinação perfeita com o outro brinco miudinho que eu já tinha, exclamou: Ah, que orelha linda! e não tocou mais no assunto. Então é assim? Beleza suplanta tudo? :p
...e ela nem sabe que já estou pensando em partir para o terceiro furo!
11:03 AM
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Sexta-feira, Maio 20, 2005
Alguém?
Às vezes, tudo o que a gente precisa é de colo.
O díficil é encontrar alguém disposto a oferecê-lo a nós.
E às vezes as coisas não são como a gente quer.
Mas elas também não vão mudar só porque queremos.
E aprender isso é difícil.
Crescer é difícil.
Mas eu consigo.
7:28 AM
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Terça-feira, Maio 17, 2005
Finalmente me pegaram
Vi essa corrente literária em três blogs. E estava morrendo de medo de que alguém ma enviasse. O Kali fez com que meu medo se tornasse real. Gelei. Mas eu não poderia quebrá-la. Afinal, a explicação que ele deu para enviá-la a mim (bem como para mais duas pessoas) amoleceu meu coração: 'porque são pessoas cujos blogs gosto de ler e cujas respostas já me deixam curioso'. Então lá vai:
1.Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Essa pergunta tá mal formulada: 'sair' se refere a mim ou ao livro que eu queria ser? Porque se se referir a mim, quer dizer que a minha resposta deve se restringir aos livros citados no Fahrenheit 451, mas se se referir ao livro, significa que ele não pode ser retirado dentre os citados lá. Ou seja, de acordo com a interpretação do verbo, a resposta muda completamente. A corrente precisa ser reenviada para quem a inventou a fim de que explique o que queria dizer, ora bolas. Mas deixando isso de lado, eu queria ser Um ônibus do tamanho do mundo, de Johannes Mario Simmel, um livro juvenil encantador que li quando era adolescente. Para mim, ele tinha cor, luz, sons e música. Queria encontrar um outro livro assim.
2. Já alguma vez ficaste apanhadinho por um personagem de ficção?
Apanhadinho? Vou pedir pro Brengas me explicar o que é isso. Mas se for o que estou pensando, sim, pelo Fernando Seixas de Senhora, de José de Alencar. Contraditório e por isso mesmo encantador. Ouvi dizer que Gabriel Braga Nunes vai interpretá-lo em alguma novela por aí. Nada contra os olhos azuis de Gabriel, mas na minha imaginação Seixas tem olhos e cabelos escuros...
3. Qual foi o último livro que compraste?
Direito Administrativo, de Maria Sylvia Zanella di Pietro. Afinal, estou estudando para concursos...mas estava com vontade de comprar O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy, uma escritora indiana que escreve como eu gostaria de escrever.
4. Que livros estás a ler?
Atualmente só estou lendo a Constituição, Código Eleitoral e etc. Fora isso, estou lendo a Bíblia em inglês: a Contemporary English Version tem uma linguagem bastante didática e assim mato dois coelhos de uma vez só.
5. Que cinco livros levarias para uma ilha deserta?
Nenhum dos que já li. Afinal, se eu estou numa ilha deserta, para que ler o que já conheço? Em livros que nunca li iria descobrir coisas novas, surpreendentes e instigantes, e poderia utilizar muito bem todo o tempo ocioso.
6. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
Para o Rafael e o Mário, que já leram e estão lendo livros interessantes que ainda não li e quero ler. E só não mando para a Lívia (que também se encaixa no mesmo motivo) porque o Kali já mandou :)
8:10 PM
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Sexta-feira, Maio 13, 2005
Quero as novas
Estou cheia das minhas preocupações. Cheia. Quero preocupações novas, novinhas em folha, com cheirinho de bebê. As minhas estão velhas, puídas, cheirando a mofo e ruídas por traças. Sorriem sem dentes e exibem a pele enrugada pelo tempo. Quero as novas, com dentinhos de leite nascendo e tufinhos de cabelo no alto da cabeça. Não quero mais me olhar no espelho e ver as antigas preocupações no fundo dos meus olhos. Elas sorriem para mim com o jeito irônico de quem já me conhece há muito tempo, tempo o bastante para saberem o que estou pensando ou sentindo. Quero preocupações juvenis que me olhem com ar de surpresa, com a certeza de que nunca me viram e não têm a menor idéia de como vou a elas reagir. As velhas me cansam, me fatigam. Quero as novas, para que me façam sentir viva com sangue correndo nas veias, para que me deixem agitada, em estado de êxtase. Novas, com cara de criança arteira, fazendo-me encantada com o mundo à volta. Só isso. E mais nada.
9:24 PM
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Quarta-feira, Maio 11, 2005
As balas
Quando estou com fome, fico meio impaciente. Assim, sempre que vou a algum lugar onde sei que vou demorar, levo algumas balas na bolsa para ter com o que enganar o estômago e a mim, antes da próxima refeição. Isso me rendeu umas situações engraçadas com crianças.
A primeira foi na Igreja, com o filho de uma amiga da minha mãe, o Rafael. Eu tinha colocado minha bolsa numa cadeira para guardar lugar para outro Rafael, o namorado da minha irmã. Ela chegou e disse que ele não viria, e nesse momento chegou o Rafael de 6 anos. Tirei a bolsa da cadeira para ele sentar. Eu não sei se ela estava aberta, mas a verdade é que quando olhei, Rafael olhava para mim segurando uma bala e sorrindo. Meu primeiro impulso foi pegar, mas me lembrei que ele era uma criança e poderia gostar de ficar com a bala. Perguntei isso, e ele, sorrindo com o arzinho debochado que lhe é peculiar, acenou com a cabeça. Lílian, a mãe, que estava sentada ao seu lado achando tudo muito engraçado, perguntou ao filho como é que se dizia. Rafael, com o mesmo sorriso lindo, agradeceu.
O segundo episódio envolve uma fofinha de um ano e pouco, a Juju. Dessa vez eu sei que a bolsa estava aberta, porque eu tinha acabado de tirar lá de dentro a câmera, aproveitando que a lindinha, que é pra lá de temperamental, estava de excelente bom humor e exibindo o sorriso mais gostoso do mundo. Depois de três tentativas até conseguir uma foto em que ela estivesse olhando para mim, porque toda vez que eu batia, ela virava o rostinho para o lado para sorrir para um garotinho que assistia à 'sessão de fotos', Juju enfiou a mãozinha na minha bolsa e tirou de lá, num piscar de olhos e sem fazer esforço, uma bala. Depois de perguntar à mãe dela se ela poderia chupar a bala, deixei-a 'descascando' o doce que, mais tarde fiquei sabendo, ela logo quis dividir com o irmãozinho mais velho que é especial, o André.
7:44 AM
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Segunda-feira, Maio 09, 2005
Um amor
Já não posso beber leite porque me transformo numa louca-fanática-maluca-possessiva-com-mania-de-perseguição-terrivelmente-sensível-prestes-a-explodir-e-absolutamente-perigosa. Agora, pelos efeitos colaterais do final de semana, pelo jeito vou ter que excluir meu adorado queijo polenghi (de que eu gosto desde que era criança) para sempre da vida. Como vou suprir as necessidades de cálcio? Resposta da minha mãe, rindo:
"Come casca de ovo!"
Ela não é um amor? :p
11:42 AM
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Sexta-feira, Maio 06, 2005
Os donos da porta
Eu moro em apartamento desde que me entendo por gente. E lá se vão mais de 20 anos. Não gosto. Apartamento é sinônimo de vizinhos demais. E eu acho que a instituição 'vizinhança' foi criada pelo demo. Afinal, Adão e Eva não tinham vizinhos no Jardim do Éden, ou seja, os vizinhos só surgiram depois do pecado original. Mas mudando de assunto, apartamento também é sinônimo de um monte de porteiros. E aqui no prédio tem 4, mais o administrador. E eu fiz uma análise de cada um, lá vai:
Pedro, o mau humorado: se você disser 'boa noite' para o Pedro, vai receber de volta um 'boa noite' com ar de 'Estou emburrado e sem vontade cumprimentar de ninguém'. Pedro nunca sorri. Chega a ser sombrio. O engraçado é que mesmo assim a gente nunca deixa de cumprimentá-lo...vai que um dia ele resolve ser simpático?
Gilmar, o conselheiro: praticamente todos os adolescentes do prédio contam tudo para o Gilmar: rolos, intrigas, namoros, problemas...ele é o conselheiro dos 'teens'. E assim fica sabendo da vida de todo mundo, seja lá o que for. Acho que Gilmar deve ter uma aparência confiável, sei lá. Ou então sabe ouvir. E perguntar. Hmm...voto pelas duas últimas opções.
Pereira, o boa-praça: simpático, sorridente, sempre alegre. Pensa rápido e tem sempre uma tirada engraçada para dizer. Você nunca vai passar pela portaria sem conseguir ter um sorriso ou uma risada arrancada pelas 'gags' do Pereira.
Seu Simão, aquele-que-não-entende-o-que-você-fala-e-de-quem-você-não-entende-uma-palavra: você sempre tem a impressão de que ele não entendeu o que você disse e vai acabar fazendo besteira. Mas seu Simão mostra a que veio quando alguém fica preso no elevador: com todo cuidado fica dizendo para a pessoa ficar calma, desliga o elevador antes de pedir para o infeliz sair lá de dentro...parece que ele 'acorda' nessas horas, acho que nesse momento surge o 'Super Seu Simão' para livrar os desesperados do medo e do horror. Seu Simão é meio como que 'porteiro de estimação' da minha mãe e da minha irmã: se ele fica gripado, minha mãe dá remédio, e minha irmã está sempre pensando em mandar algo para ele comer.
Gilson, o puxa-saco: ele não é porteiro, é administrador. Mas faz o estilo 'capachão' e é por isso que não vou com a cara dele.
... mas uma bela noite, Pedro voltou de férias. E minha mãe fez tanto alarde e demonstrou tanta alegria ao dizer: Pedro, você voltou! que Pedro até...sorriu! Pedro sorriu! Foi um sorriso de canto de boca (você não estava achando que ele ia mostrar os dentes assim tão facilmente...), mas foi um sorriso! E isso é tão fantástico que não sei como não nevou aquele dia.
7:55 AM
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Quarta-feira, Maio 04, 2005
Mudanças
Eu estou em fase de mudanças. E são mudanças boas. No princípio fiquei com medo, achei que eram transformações temporárias, do tipo que vai e vem. Mas agora já acredito que são permanentes e definitivas, e isso me faz contente. E embora essas transfomações deixem certas pessoas encafifadas e gerem até mesmo polêmica, eu não me importo. É como diz o hit: Tô nem aí. Só quero ser feliz. E ponto.
7:34 AM
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Domingo, Maio 01, 2005
Incoerências
"Mas eu queria saber neste mundo misturado quem concorda consigo mesmo! Somos misturas incompletas, assustadoras incoerências, metades, três-quartos e quando muito nove-décimos. Até afirmo não existir uma só pessoa perfeita, de São Paulo a São Paulo, a gente fazendo toda a volta deste globo, com expressiva justeza adjetivadora, chamado de terráqueo."
"Não existe mais uma única pessoa inteira neste mundo e nada somos que discórdia e complicação. O que chama-se vulgarmente personalidade é um complexo e não um completo. Uma personalidade concordante, milagre!"
(Mário de Andrade - Amar, verbo intransitivo, p. 79,80)
4:36 PM
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