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:Quem é essa garota?:
Priscila, 26, capixaba de olhos negros e riso solto
Concebida em Salvador, mas com alma cosmopolita
Direito no diploma, carreira diplomática na cabeça, concursos para alcançar isso
Paixão por línguas; inglês é bom pro chat, alemão, pro coração
Camarão, pão de queijo com manteiga, mas pizza sem catchup ou mostarda
39 no pé, magra sempre esbelta, loira desde penúltimo março
Piano clássico por dez anos, fotografia nos planos, pintura e cinema nos sonhos
Phil Collins, Bryan Adams, Rod Stewart, Rick Astley e o que mais a agradar
Inteligente, insegura, engraçada e fiel
Temperamental, impulsiva, mal-humorada e melancólica
Melhorar sempre é uma ordem
Deus está sempre ao seu lado
Agradece a você, que faz esse blog mais feliz!
:Status:




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Ponto.de.Encontro
"Mais que vencedor eu sou!"
(Rom.8:37)
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Sexta-feira, Julho 29, 2005
Véspera
Parece que hoje é véspera de Natal. Sabe aquela alegria e excitação de véspera de Natal? Estou assim. A gente fica pra lá de contente porque é uma noite diferente. Mas não é só isso. Você olha pra todas as casas ( =e daqui do décimo andar dá pra ver muitas casas) e vê as luzes acesas, e o barulho das conversas e risadas das pessoas. Você sai de casa mais tarde e, se ensaiou uma cantata durante quatro meses, tem a sua roupinha da cantar em Coral preparadas, e quando chega na igreja, não só você, mas os coristas, o maestro e a orquestra estão exalando excitação. E aí vêm as brincadeiras, os cochichos, os últimos ajustes, porque o momento mais especial está chegando. E todo mundo brinca e ri, mas no fundo estamos meio tensos porque ensaiamos muito, gastamos tardes e tardes de sábado e queremos que tudo saia perfeito. E aí você ouve os violinos sendo afinados, o maestro aparece para botar ordem no bando de colegiais em que se transformou o coro (até os velhos parece que perdem o juízo e se transformam em crianças cheias de energia e vontade de beliscar o coleguinha e derramar o lanche na roupa). E de repente você ouve os primeiros acordes da orquestra e sabe que chegou a hora. O coro faz silêncio. Alguns ainda cochicham e riem e são repreendidos pelos que já deixaram a criança dentro de si dormir. E aí vamos entrando. Um por um. Tudo está apagado e algumas luzes nos dão as formas dos rostos das pessoas. O maestro rege a orquestra, e parece que não há mais nada além do coro no resto do mundo. Então ele olha pra nós e sorri, para que nos descontraiamos. Vai começar. Ele dá o sinal. E o coro começa a cantar. O momento chegou. Seu coração se enche de alegria porque foi pra isso que você ensaiou até cansar, até decorar cada letra, cada nota, cada alteração de bemol e sustenido, cada ritmo, cada entrada, cada movimento de expressão. E ali, quando você está vivendo tudo o que desejou durante quatro meses, não há ninguém mais feliz do que você.. O maestro está suando, tenso e feliz. O coro está compenetrado e feliz. A orquestra lê as partituras com temor e está feliz. Mas ninguém mais que você.
É assim que eu estou. E eu espero que a cantata seja linda. E ao final os aplausos entusiasmados sejam a prova de que cada dia e minuto de sacrifício e ensaios gerais sem hora pra acabar foram recompensados. O maestro sorri, e agora ele parece sorrir pra cada corista. Cumprimenta o primeiro violinista, agradece à platéia, faz sinal pra platéia olhar pra o coro. O lugar se enche com o barulho das palmas e dos sorrisos da pessoas. Nós sabemos que fizemos bonito. E não há sensação mais terrivelmente deliciosa que essa. E é isso que eu quero ouvir e ver. O rosto alegre e bondoso do maestro. O coro que se alegra porque todos fizeram isso juntos. A platéia que se entusiasma com a perfeição da cantata. É isso que eu quero. É o que estou esperando. Mas hoje ainda é véspera de Natal. Minha roupinha está passada e tenho o coração congestionado de emoção. Falta só um pouquinho pro grande momento. E eu ainda estou na janela, olhando as luzes acesas e ouvindo os risos descontraídos e descompromissados dos que ainda esperam a meia-noite.
6:43 AM
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Quarta-feira, Julho 27, 2005
Teorias conspiratórias
Ônibus 501. Pouco depois do meio-dia. Eu, sentada (milagre!). Um cidadão de boné, pele curtida pelo sol, bermuda e chinelo, também sentado (o ônibus tava meio vazio) fala sem parar. Olho pra trás, pra sua companhia. É uma mulher de óculos escuros que tem a cabeça encostada no vidro, mais interessada em descansar do que em conversar. Mas o cidadão não pára de falar.
"A Coréia do Norte fica dizendo que tem bomba atômica. É por isso que os EUA vão contra ela. Se ela tá fazendo bomba atômica, por que não fica quieta? Fica quieta, ora. Ela deve ter mesmo bomba atômica, é uma arma grande, então por que fica dizendo? É melhor fica quieta. Eu tenho pra mim que o Brasil também tem bomba atômica, mas o Lula não fala nada senão os EUA também vão ficar contra o Brasil. E se o Lula tá fazendo isso ele é muito inteligente. Porque, se o Brasil tem uma arma dessas, a bomba atômica, pra que que ele vai ficar falando pra todo mundo que tem? Isso é coisa de que quem quer aparecer, é o que a Coréia do Norte tá fazendo, ela quer aparecer. Se ele tem, então fica quieta. E se o Brasil tá mesmo fazendo a bomba atômica e o Lula não diz nada, ele é um cara muito inteligente. Porque quem tem a bomba não pode falar, tem que ficar quieto. Porque..."
(Repita o trecho cinco vezes pra ter o discurso por inteiro.)
Depois, debaixo do desinteresse da passageira ao seu lado, e do olhar perscrutador da cobradora (não sei se ela estava intrigada com a tese ou com o autor dela), veio nova teoria:
"Porque antes a América Latina tava dividida em dois países. Do México pra cá era tudo [não consegui escutar] e do México pra lá era tudo dos EUA. O Canadá não era forte, o Canadá não é forte como os EUA. Por isso os EUA tomou o Alasca dele. Eu sei porque os EUA fizeram isso. É porque os EUA e Canadá têm saída para os dois oceanos. Mas se houvesse um ataque da Ásia [e outra região que agora não me lembro] pelo Pacífico o Canadá não teria como se defender. Por isso os EUA tomaram o Alasca. Porque se a Ásia atacasse..."
(Repita o trecho duas vezes pra ter o discurso até o momento em que saltei.)
Agora só fico pensando que tenho que tomar mais cuidado. Vai que ele ficou assim de tanto estudar...?
7:41 AM
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Terça-feira, Julho 26, 2005
Coisas da vida
Ontem, na biblioteca da Ufes, quando eu ia entrar no banheiro, saía uma moça de calça jeans e blusa de lese. Foi só colocar os olhos na blusa que me lembrei do vestido de lese branca que minha mãe fez pra mim e minha irmã quando éramos crianças. Ela tinha o sonho de ver as filhas usando lese, e como sabia (e ainda sabe) costurar, fez as roupas. Eram completamente brancos e idênticos. Ainda me lembro de uma foto que mostra o coralzinho infantil onde nós duas cantamos, no Natal de 1986, usando os tais. E na época estavam na moda uns enfeites de cabelo que hoje seriam considerados over, mas na época da novela da Viúva Porcina eram o auge do fashion. E nós usamos as roupas com os enfeites. Tão engraçado lembrar disso...e a blusa que a moça usava era de lese branca, como os nossos vestidos. Coisas da vida.
7:39 AM
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Sábado, Julho 23, 2005
Guardando os restos do bolo, etc.
Na sexta, a primeira foi Marcela (com Juju no barrigão).
No sábado, o primeiro foi Rafael, adoravelmente implicante como sempre. Depois, meus pais cantando "parabéns a você". Telefonema. Minha irmã, ainda sonolenta, cantando "hoje é o seu dia, que dia mais feliz". Presentinho. Comida chinesa. Telefonemas. E-mail. Cartão virtual. Promessa de cartão postal "logo, logo" (será que vem? será que vem?) Visitinha. Presentinho. Um monte de cumprimentos e "muitos anos de vida". Lembrança da minha festa de 15 anos, quando meu pai tirou fotos com a máquina sem filme. Sorriso liiiiindo de alguém parecidíssimo com o Mark Ruffalo. Noite feliz. Foi um dia feliz. E não posso deixar de agradecer a vocês, que com seus comentários super carinhosos contribuíram para deixar esse dia ainda mais gostoso. Um beijinho pra cada um. E toca a vida!
Update às 23:20: ...e pra encerrar a noite com chave de ouro, e-mail pra lá de fofo do Duarte, meu amigo de além-mar. 'Brigada e um beijo :)
10:57 PM
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Sexta-feira, Julho 22, 2005
23 de julho é dia de parabéns pra mim!
Fiquei pensando no ano que passou. Primeiro eu estava triste, porque não consegui o que queria. Depois, comecei a pensar nas coisas que aconteceram e percebi que, do ano passado para cá, vivi coisas muito boas, e também passei por transformações intensas. Conheci pessoas fabulosas, reencontrei amigos queridos, vi situações difíceis e complicadas se resolverem, ganhei carinho em momentos ruins, consegui um resultado surpreendente numa prova (embora tenha sido barrada na segunda fase), passei a estudar num ritmo que nunca pensei que seria possível, li autores até então desconhecidos para mim, e mais recentemente, reencontrei uma velha amiga de colégio e ganhei um novo amigo.
Apesar das dificuldades, apesar de ainda estar lutando para realizar meus sonhos, vejo que o saldo foi positivo, e isso me anima.
Também preciso agradecer a vocês que, de um modo ou de outro, fazem parte da minha vida. Com alguns eu estreitei relações, com outros me comunico por e-mails, e outros conheço só através dos comentários e dos blogs, mas ainda assim me relacionar com cada um de vocês é uma experiência única e especial. Espero estar dando a vocês, mesmo que através da net, o tanto de carinho e coisas boas que tenho recebido. Muito obrigada de coração. Um beijo. E parabéns pra mim! :)
7:07 AM
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Terça-feira, Julho 19, 2005
Utilidade pública
Para provar que esse blog realmente tem verdadeira utilidade, apresento aqui o fenomenal curso:
Como tomar banho de balde em três lições
Importante:
Você só deve utilizar esse procedimento quando faltar água na sua casa bem na hora que em que você está querendo tomar banho para sair. Em outras situações, basta abrir a torneira e tomar seu banho sem complicações.
1ª Lição: Leve para o box um balde cheio dos últimos litros de água que você, desesperadamente, conseguiu reunir, enquanto torcia para que eles fossem suficientes para um banho decente, simplesmente porque ninguém avisou que estavam fechando o registro do prédio. Junto com o balde, leve também um pote de plástico tamanho médio e outro pequeno.
2ª Lição: A água deve ser muito, mas muito bem utilizada. Por isso, não utilize toda a água do balde para se molhar antes de se ensaboar porque vai faltar água para o enxágüe final, dããã. Ao contrário, encha o potinho de plástico menor com um pouco de água e coloque ali o sabonete. Utilize essa água para se ensaboar. Vai fazer um monte de espuma, mas como você tem mais de três anos, não vai arder seus olhos.
3ª Lição: Para molhar o cabelo, use o pote médio. Cuide para que a água que cai na cabeça molhe também o máximo de outras partes do corpo possível, afinal, você só tem um balde para fazer todo o trabalho sujo. Quando precisar repor a água do potinho pequeno onde está o sabonete, utilize o pote médio. Não encha o potinho pequeno com água de sabonete diretamente no balde, senão você vai sujar a água toda, dããã.
4ª Lição: Não tem quarta lição. E eu não terminei de dizer tudo. É só para alertar que a melhor parte do banho de balde é quando você está tirando o condicionador do cabelo com a ajuda do pote médio e alguém grita: Priscila, abre o chuveiro que a água voltou! Aí você se lembra que vive no século XXI com água encanada e morna e que aquilo era só um pesadelo do século retrasado.
Em tempo: esse curso pode ser usado por pessoas de todas as idades, sem restrições. Se você não tem um pote médio e outro pequeno o problema é seu. Tente tomar banho só com o balde e depois me conta. Se o seu curso for melhor que o meu, prometo que publico aqui.
Update em 20/07: Feliz Dia do Amigo!! :)
7:48 AM
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Sábado, Julho 16, 2005
Abaixo o clichê
Por que sempre que um assassino considerado cruel e sanguinário sai da prisão seja lá porque motivo for, sempre tem um monte de gente na frente da porta da cadeia gritando 'assassino, assassino'? Esse povo não tem o que fazer? Não tem uma trouxa de roupa pra lavar, crianças remelentas para cuidar, almoço por fazer? Eles não têm nada a ver com o fulaninho que matou o pai, ou mãe ou a família inteira, muito menos com a família morta - a qual nunca viu mais gorda ou magra - então qual a razão da aglomeração? Eu já sei. É só pro jornal do dia seguinte dizer que o assassino cruel e sanguinário saiu da prisão debaixo dos gritos de 'assassino, assassino'. Ou só para manter o clichê-saída-de-assassino-cruel-e-sanguinário-debaixo-dos-gritos-de-assassino.
Venhamos e convenhamos, chega de clichê. Vamos mudar o negócio. Por que ninguém vai até o assassino cruel e sanguinário quando ele está saindo com aquela expressão de pelo-amor-do-guarda-me-protejam-dessa-gente, e pede um autógrafo dizendo de que está colecionando assinaturas dos executores dos mais brutais e chocantes homicídios do país? Além de fazer um assassino feliz com a boa repercussão de sua má ação, ainda sairia no Jornal Nacional como o fã enlouquecido do monstro do Irajá, ou da filha-que-matou-os-pais ou seja lá o que for. Seria uma alternativa boa a ficar gastando goela e saliva só para executar um clichê. É claro que o fã correria a chance de ser linchado pela galera com sede de justiça (e sangue), mas mesmo nesse caso, seria mais emocionante sair escoltado por policiais para não morrer apedrejado do que ficar gritando 'assassino' com o restante do povão. É ou não é? É sim. Abaixo o clichê.
8:15 AM
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Quarta-feira, Julho 13, 2005
O fantástico mundo de Priscila vol. IV
Compramos uma nova máquina de lavar roupa. Isso fez com que minha mãe se lembrasse do dia em que máquina antiga chegou, há mais de vinte anos (sim, as coisas aqui em casa duram muito). Minha irmã tinha uns 2 anos, e eu, 3 para 4. Minha mãe fez mingau de aveia para nós duas - porque ela achava lindo crianças tomando mingau - e disse: "Quem comer tudinho vai ser a princesa mais linda!"
Pois bem. Eu e minha irmã, sentadas no chão, comemos. Ou melhor, fingíamos comer. Enrolamos. Remexemos o mingau. Enrolamos. Remexemos o mingau. Enrolamos. Remexemos o mingau. Enro...até que o mingau virou um coisa líquida que podia parecer qualquer coisa, menos mingau. Isso levou um tempão. Quando minha mãe viu o que aconteceu, nos livrou de ter que tomar aquela...hã...delícia, mesmo porque já não prestava para nada. E quando nos perguntou por que não tomamos, respondemos, com a deliciosa esperteza infantil:
"A gente sabia que não iria virar princesa nenhuma mesmo..."
(A série O fantástico mundo de Priscila é inspirada no desenho animado O fantástico mundo de Bob. Qualquer semelhança com o fantástico mundo dos leitores só prova que criança é tudo igual.)
8:18 PM
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Segunda-feira, Julho 11, 2005
Vamos nessa corrente...
Mônica, nossa mais nova Mestre em Relações Internacionais e Integração Européia com distinção pela Universidade de Liége, na Bélgica (tá certo isso, Mônica?), enviou-me essa batatinha quente. Depois de expor meus neurônios a torturas indescritíveis, aqui estão as respostas :p
Quantos gigabytes de música?
Não tenho idéia, mas não são muitos. Uma rede p2p faz uma falta...As que tenho aqui foram presentinhos do Hans, Marco e Rafael. Isso faz com que eu ouça de Madredeus a Madonna, passando por Bebel Gilberto, Gino Paoli e Swing Out Sister. Tão diversificado como os meus presenteadores...
Último cd comprado?
Blessed, do Hillsong Music Australia, gravado ao vivo, que comprei por causa de uma única música. Acabou se revelando um dos meus preferidos. Mas se for pensar bem, o último cd adquirido não foi comprado, foi ganhado e veio em forma de mp3 pelo MSN Messenger: toda a trilha sonora do filme De repente 30 que o Rafael garimpou para mim e que eu adoro ouvir.
Música tocando no momento:
The next time I fall de Peter Cetera (dueto com Amy Grant) tocando...dentro da minha cabeça desde que acordei. Ei...falando nisso, o que estou esperando pra ouvi-la? Não sei vocês, mas eu adoro as músicas do Peter...
Cinco músicas que tenho escutado bastante:
Serve álbum? Eu tenho escutado muito os três volumes de The Greatest American Songbook de Rod Stewart, recheado de música antigas como The way you look tonigh, As time goes by e outras. Também sou apaixonada pelo ábum da trilha sonora de Um lugar chamado Notting Hill , com She (Elvis Costello), I do cherish you (98 Degrees) e From the heart (Another Level ). Mais meloso, impossível. Mas que vou fazer se eu gosto hihihi?
Passo a bola:
Para a Lívia, que sempre assina os posts com as músicas que está ouvindo, e que me parece ser bastante eclética.
...Deus é bom pra mim. Mesmo quando faço besteira.
7:11 AM
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Sábado, Julho 09, 2005
Depois
Por que me trazer a esse lugar?
Saio da culpa, caio na perda
sem ter onde pisar.
Movo-me entre estranhos lugares
que surgem sem aviso;
desconhecia essa visão.
E quando penso que subo
logo me vejo descer,
cega.
Sem direção.
I'm a nonsense girl...
...e está frio mas o sol brilha tão forte e alegre lá fora, felizmente.
10:47 AM
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Sexta-feira, Julho 08, 2005
Livre sob o sol
Por sobre o mar,
rumo ao céu,
como um balão de gás,
pra se livrar
da terra que o prende,
vai meu espírito:
sobe ao céu,
sobre o mar,
e se deixa ficar,
esquecendo-se do mal
e iluminando-se com o sol
que brilha sobre todos
sem distinção.
4:07 PM
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Quinta-feira, Julho 07, 2005
Vazio
O que fazer quando se parte o coração?
Existe cola que possa pedaços juntar?
E o que fazer quando se é injusto?
Existe borracha pr'os erros apagar?
E o que fazer,
se o tempo passou
e as palavras não ditas
explodiram no céu,
tingindo tudo de dor?
Há mágoa que passe?
Há dor que cure?
Há erros que sejam verdadeiramente esquecidos?
Se me afogo em perguntas,
há alguém que me responda?
Só ouço o silêncio
do vazio em mim.
(Mais tarde: Meu coração agora está leve. E já não há mais vazio. Melhorei.)
(Sexta:Percebo que não posso ficar sozinha, pensando. Senão, acabo só lembrando do que fiz e isso me entristece. Nunca passei por isso; será que a gente sempre fica assim quando magoa alguém, mesmo sem querer? Talvez eu quisesse chamar a atenção, brigar, reclamar, mas nunca magoar. E agora eu fico assim. E meu único consolo é pensar que isso passa. Mesmo que demore.)
1:18 PM
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Domingo, Julho 03, 2005
Angélique
Angélique, deitada numa espreguiçadeira, lia um livro. A irmã, sentada na varanda com a amiga, conversava.
__ Pois é, eu não a entendo. Depois que começou a estudar Biologia e Genética, passou a desprezar todos os pretendentes que lhe aparecem! Não importa quais sejam as qualidades, ela sempre encontra um defeito nos coitados!
__ Defeitos não, minha irmã - retrucou Angélique, sem levantar os olhos da página - evidências, isso sim.
__ O José Aurélio, por exemplo, estudado, formado em Direito, culto...sabe conversar sobre qualquer assunto e é uma graça de pessoa e..
__ Mas tem asma. Asma! E se esse gene passa para minha prole? Imagine se quero ter filhos asmáticos? Não, nem pensar - explicou Angélique, gesticulando, como se falasse sozinha.
__ Pedro Antônio foi outro que ela deixou passar! Ele nem é estudado sabe?, mas é tão esforçado, trabalhador e ainda sabe cozinhar, imagine se...
__ E a maior parte da parentada dele morreu de cirrose, de tanto beber. Todos alcoólatras! Até parece que quero correr o risco de ver meus filhos morrerem com o fígado estragado de tanto álcool! - retrucou, dessa vez olhando para a irmã, com ar de reprovação.
A irmã fez um sinal com a mão de que estava pouco se importando e continuou a falar:
__ E o José Alfredo? Menina, lindo ele! Uma graça sabe? Já tinha até feito ponta em novela de tão interessante que ele é, e essa tonta terminou na primeira semana, quando foi visitá-lo na...
__ Esse tem uma irmã autista. Nem preciso responder que quero meus filhos livre dessa possibilidade...ou será que preciso? - perguntou, fechando o livro com estrondo.
A irmã olhou para a amiga e as duas ficaram com ar de interrogação, enquanto Angélique abria novamente o livro.
__ Mas o Aristides ela tinha que ter aceitado! Que eu saiba ele era um atleta, perfeito, até prêmios já tinha ganhado na...
__ Infértil. Azoospermia. Uma pena para ele.
A irmã deu um profundo suspiro e continuou:
__ O Raimundo Nonato eu entendo sabe? Era daltônico, foi por isso que ela não quis...ele via azul e enxergava marrom..
__ Não foi por isso, não - disse Angélique - ficou louca? Quem passa o daltonismo para os filhos é a mãe e não tem ninguém daltônico na nossa família! Essa você errou, minha irmã...
__ Ué...eu achei que era por isso...foi por quê, então?
Angélique fechou o livro, suspirou, e disse:
__ Ah...isso eu não conto mesmo. Então levantou-se devagar da espreguiçadeira e continuou:
__ Estou indo pegar meu remédio pra artrite na cozinha, quer alguma coisa?
__ Ah quero sim! Pega a nova cola de dentadura que eu comprei para mostrar pra Dorotéia.
Angélique levantou-se e saiu, reclamando das dores na coluna e sentenciando que chegar aos 74 não era tão fácil quanto pensava, mas ainda assim valia a pena viver.
3:27 PM
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