"Os teus sonhos são Meus
Teus problemas são Meus
Tua vida também
É Minha vida
Eu de ti cuidarei
Nunca te deixarei
Os teus sonhos Eu realizarei
Vou te levar, te conduzir
E quando você alcançar
Saberá que em todo tempo Eu estive ao teu lado"
("Sonhos", álbum Reverência, de Chris Durán)
:Quem é essa garota?:
Priscila, 26, capixaba de olhos negros e riso solto
Concebida em Salvador, mas com alma cosmopolita
Direito no diploma, carreira diplomática na cabeça, concursos para alcançar isso
Paixão por línguas; inglês é bom pro chat, alemão, pro coração
Camarão, pão de queijo com manteiga, mas pizza sem catchup ou mostarda
39 no pé, magra sempre esbelta, loira desde penúltimo março
Piano clássico por dez anos, fotografia nos planos, pintura e cinema nos sonhos
Phil Collins, Bryan Adams, Rod Stewart, Rick Astley e o que mais a agradar
Inteligente, insegura, engraçada e fiel
Temperamental, impulsiva, mal-humorada e melancólica
Melhorar sempre é uma ordem
Deus está sempre ao seu lado
Agradece a você, que faz esse blog mais feliz!
:Status:
Ponto.de.Encontro
"Mais que vencedor eu sou!"
(Rom.8:37)
Domingo, Outubro 30, 2005
Inteligível
Cléo Pires diz que se sente muito mais mulher porque paga suas contas. Eu entendo perfeitamente. Também me sentiria muito mais mulher se pagasse minhas próprias contas. Sem dúvida alguma. E espero loucamente que isso aconteça em breve. Antes que eu tenha um treco.
Hoje é aniversário da minha mãe. Exatamente ontem ela pegou seu certificado de conclusão do Curso de Psicanálise pela Sociedade Latino-Americana de Psicanálise Clínica. E anteontem eu estava com a prova do cartão de visitas na mão, pensando que nunca havia imaginado que um dia minha mãe se tornaria psicanalista, com consultório, cartão e tudo mais. Parecia uma daquelas surpresas que a vida prega na gente, quando realiza coisas que nunca imaginamos. Eu falo 'vida', mas prefiro acreditar que são as coisas que Deus prepara pra nós em segredo.
Depois de passar vinte e tantos anos só cuidando de casa e filhos (por imposição do meu pai, que não queria que ela trabalhasse), ela passou no vestibular pra Direito da Ufes, há 11 anos atrás, na segunda tentativa. Após formar-se, há 6 anos, cursou a Escola de Magistratura, depois estudou pra concursos, mas seu coração sempre esteve voltado pra área da psicologia. Há dois anos iniciou o curso de Psicanálise, e agora, aos 54 anos, vai finalmente ter novamente uma vida profissional, interrompida quando se casou. Eu sei o quanto ela é inteligente, o quanto está estudando e se aprofundando na obra de Freud pra cuidar de algumas pacientes que já possui, e acredito que ela vai ter muito, muito sucesso.
A moça que queria ser médica, agora realiza seu sonho tornando-se, em suas próprias palavras, "médica da mente, da alma". Eu acredito que ela vai ajudar muitas pessoas a encontrarem o caminho da cura para serem emocionalmente saudáveis, felizes. Porque tão importante como curar o corpo, é trazer cura às emoções, e livrar das dores da alma.
Hoje, o que posso dizer é que admiro muito sua coragem e sua força, mãe. Te amo muito. Parabéns!
Sr. Usko: Nós nos conhecemos na praia. Mas não foi um coisa comum não, eu nem tinha reparado nela antes...aliás, a primeira coisa que reparei nela é que ela estava chorando. Chorando na praia? Pois é, eu a vi chorando e a levei da água para a areia. Você pode nem acreditar, mas mesmo chorando ela estava linda, sabe? Nunca vi ninguém chorando ficar bonito, mas ela estava linda mesmo assim.
Sra. Molly Usko: Amor, você não explicou por que eu estava chorando...
Sr. Usko: Ah, é verdade! Ela tinha pisado num ouriço. Vê se pode? Pisar num ouriço na praia...
Sra. Molly Usko: Aí ele me levou pro pronto-socorro. Enquanto o médico tentava tirar os espinhos do meu pé, ele ficou segurando minha mão o tempo todo e dizendo que tudo ia ficar bem, foi tão fofinho comigo...
Sr. Usko: Depois eu a convidei pra comer ouriço-do-mar num restaurante, só pra ela se vingar do bicho. Ela adorou. Eu também...aí pra gente ficar junto foi um pulo. Pensando bem não foi um azar ter pisado naquela coisa, não é, meu ouriçozinho?
Depoimento 2: Sra. Sol Costa Ureira e Sr. Ureira
Sra. Sol Ureira: Minha mãe sempre me aconselhou a levar agulha e linha pra todas as festas em que eu fosse. Ela é costureira, sabe? E dizia que se alguma coisa acontecesse com o vestido, eu podia consertar sem problemas...
Sr. Ureira: Eu tinha engordado um pouquinho, cê sabe..mas eu só tinha aquele terno e a grana tava curta. Aí fui pro casamento do meu primo com aquele mesmo. Mas na hora da empolgação na festa, eu dançando afobado, putz...a calça rasgou. Bem atrás, sabe? Um rasgão. Eu fiquei todo deprê, porque eu tava me divertindo e não queria ir embora. Aí meu primo me falou da amiga da noiva dele, que tinha mania de levar coisas de costura pra festa. Eu até achei aquilo estranho, mas meu primo tava falando sério. E enquanto eu esperava no banheiro, ela costurou. Puxa, você nem imagina, ficou direitinho, até melhor do que antes, eu nem sei o que ela fez, mas nem tava mais apertado. Sei lá, eu logo achei que tinha coisa naquilo...eu tive certeza de que ela era um tipo de fada, sabe? E uma fada não se encontra todo dia...chamei-a pra dançar e gente dançou a noite toda, e...pasme! A minha calça nem rasgou! Descobri que ela é um fada mesmo, né, linda?
Sra. Sol Ureira: Minha mãe sempre me dizia que um dia eu ia encontrar meu amor verdadeiro. Mas que agulha e linha iam ajudar nisso, eu nunca desconfiei...depois disso, já decidi que também vou ensinar costura pra nossa filha....nunca se sabe, né, amor?
Minha irmã: Não, ainda tô esperando meu príncipe encantado. Só espero que ele não venha com aquele modelito brega de mangas bufantes e sapato de camuça montado num cavalo branco.... se não, quando ele chegar e disser: "Amor!", eu vou dizer: "Não, não te conheço, por favor, vai pra casa e volta com uma roupa decente..."
Dessa vez, é o fantástico mundo do pai da Priscila. Ele tinha cinco anos e morava numa casa. A casa tinha um galinheiro. E ele pegou um pintinho pra brincar. Brincou, brincou, brincou até enjoar. O pintinho já devia estar zonzo e desesperado. Mas meu papai não percebeu. E ficou tão feliz com o brinquedo que resolveu guardá-lo pra brincar mais tarde....dentro de uma lata. Tampada.
Sim, papai esqueceu o coitado lá dentro. O oxigênio acabou. O pintinho morreu. E começou a feder. E alguém descobriu. E ele levou a maior surra da madrasta por conta disso. E depois o pai dele chegou em casa. E ele levou outra surra. Coitado de papai...
Mas além de ser organizado com seus brinquedos, papai também era meio egoísta. Ele ganhou um saquinho de balas. Chupou um bocado. Sobrou um bocado. E ele resolveu guardar. No quarto não, alguém podia descobrir e chupar tudo. No quintal era melhor. Melhor ainda era enterrar. E foi o que ele fez. No outro dia ele foi procurar. Mas as formigas tinham encontrado primeiro. E papai não pode chupar mais bala nenhuma. Coitado de papai...
Depois disso ele aprendeu duas lições sobre o mundo animal: pintinhos morrem e formigas gostam de balas.
Ainda tem outra história sobre o dia em que ele...ah, isso fica pra depois. E sim, as histórias do fantástico mundo de papai são sempre assim. A gente não sabe se ri ou chora. Coitado de papai...
(Como eu já disse e vocês já estão cansados de ouvir, o título dessa série é uma homenagem ao desenho animado O fantástico mundo de Bob. Mas que eu saiba Bob nunca matou um pintinho por acidente).
Slapt! E partiu desta para a melhor uma barata francesinha que minha mãe matou. Óbvio que ela só foi morta porque era francesinha. Pequena. Delicada. Se ela fosse grande e tivesse asas, com certeza teria levado a melhor. Até meu pai chegar.
Eu: (cantarolando La vie en rose) Ela era francesinha. Devia saber cantar La vie en rose...
Minha irmã: (entrando no embalo e cantarolando também): E ela ainda devia abrir as asinhas assim pra cantar, ó...(abrindo os braços).
Minha mãe: (ainda irritada com a aparecimento da dita cuja) Espero que ela tenha cantado bastante, porque agora ela não vai cantar mais nada.
Pobre baratinha. Nem bem começou a carreira artística e teve a vida ceifada tão prematuramente...
__ Peraí...um, dois...você tem cinco redemoinhos no cabelo, amor?
__ Tenho, linda.
__ Isso é impossível...como alguém pode ter cinco redemoinhos no cabelo?
__ Ué, por que não?
__ Isso não é normal.
__ Como você pode saber?
__ Não sei, mas eu aposto como Darwin escreveu sobre isso em algum lugar...é a lei dos redemoinhos no cabelo, ninguém pode ter mais de dois.
__ E quantos você tem?
__ Dois.
__ E como você sabe disso? Você tem cabelo comprido, não dá pra ver, você pode até ter mais...
__ Eu só tenho dois. Mas o que eu quero saber é como é que eu vou ter filhos com alguém que tem cinco redemoinhos no cabelo. Se os redemoinhos que ele tiver forem a soma dos nossos, então ele vai ter sete!
__ Sete é o número da perfeição.
__ Sério?
__ É sim.
__ E quem é que vai cortar o cabelo dele? Nenhum cabeleireiro sabe cortar o cabelo de quem tem sete redemoinhos...vão sempre fazer um estrago e ele vai ser uma criança complexada.
__ Você pode aprender a cortar...
__ Eu??
__ Ou você prefere que ele sofra no colégio?
__ Tá bom, eu aprendo...
__ Então isso quer dizer que você ainda me aceita, mesmo que eu tenha cinco redemoinhos...?
__ Fazer o que, né? Afinal, cinco e dois são sete, que é número da perfeição...depois, a criança pode puxar a mim, ser normal e ter só dois.
__ Eu ainda não sei o que vou fazer da vida...vestibular pra que curso...
__ Você tem que pensar em algo que goste muito.
__ Eu gosto muito de pés.
__ Hein?
__ Eu sou louco por pés.
__ Como assim, louco por pés?
__ É isso mesmo, sou louco por pés femininos.
__ Cara, você não é normal.
__ Eu tenho certeza de que vou encontrar minha amada pelos pés!
__ Você tinha que arranjar um emprego de sapateiro, então...
__ Ou de designer de sapatos!
__ Ou de vendedor de sapatos...
__ O que você disse?
__ Vendedor de sapatos...
__ Amigão, você é um gênio! É esse o emprego que eu preciso!
__ Hein, você quer ser vendedor de sapatos?
__ E por que não? Eu preciso encontrar a mulher da minha vida! E vai ser pelos pés...vendedor de sapatos! Eu vou ser um vendedor de sapatos! Vou atender dezenas de lindos e delicados pezinhos femininos, dentre os quais vão estar os da minha amada!
__ Você tem certeza de que sua mãe não leu demais a história da Cinderela pra você?
__ Era meu conto de fadas favorito!
__ Eu sabia...as mães acabam com o futuro dos filhos...por que ela não leu Branca de Neve ou Rapunzel? Aí você poderia ser químico ou arquiteto, sei lá....
__ Tudo pra encontrar a mulher da minha vida! Olha lá uma sapataria! Lá eu vou encontrar a minha gata borralheira, com os pezinhos mais lindos que alguém já viu, uns dedinhos perfeitos, calcanhar esculpido pela natureza, tornozelo admirável, delicado...
__ ...e de preferência com um futuro brilhante, afinal, ela vai casar com um vendedor de sapatos...
__ ...andar macio, unhas bem feitas, corte perfeito, totalmente simétrico, encantador, lindo em qualquer calçado, sempre luminoso, um esplendor...
__ ...e pensar que ele só queria saber o que fazer no vestibular! Futuro estragado por conta de um par de pés...vai ser um par, né? Ou ela também pode ser perneta?
__ ....invejados, belos em qualquer situação, de chinelo, alpargatas, salto alto, descalços...
__ ....quem não vai gostar disso é seu pai...
__ ...fotogênicos, perfumados, tatuados ou não...
__ ....e eu só queria ajudar!
__ .... pés de uma princesa!
__ Acabou?
__ Não! Só vai acabar quando eu a encontrar! Com ou sem anéizinhos, com esmalte escuro ou não, sempre bem cuidados...
...como ele tinha muita sorte (e o amor é forte como a morte), naquele mesmo dia ele encontrou sua princesa de pés lindos e foram felizes pra sempre. Como num conto de fadas.
Sr. Bon DiGarpho: Eu sempre gostei muito de comer, mas nunca pensei que fosse encontrar a mulher da minha vida num restaurante. Ela e o irmão se sentaram à minha mesa porque o restaurante estava lotado e não havia outras mesas vagas. Quando eu olhei pra ela, sabe, meu coração chegou a palpitar. Ela comia de um jeito tão delicado, mas também com tanta voracidade, que imagine!, eu parei de comer e fiquei olhando pra ela. Eu parei de comer, você consegue entender isso? Fiquei ali, igual a um bobo, olhando ela comendo...
Sra. Bon DiGarpho: É verdade, ele estava olhando pra mim com os olhinhos brilhando, tão fofo, tão fofinho, com aquele garfo cheio de macarrão no ar...eu me apaixonei na mesma hora...
Sr. Bon DiGarpho: E eu aconselho: está sozinho? Então vá almoçar num restaurante bem cheio e procure sentar numa mesa onde já tem gente almoçando. Nunca se sabe, você pode ter a mesma sorte que eu e encontrar o amor da sua vida, né?
Depoimento 2: Dr. Kosey e Sra. Glee Kosey
Dr. Kosey: Ela deu entrada no hospital muito pálida, tinha tentado o suicídio comendo meio quilo de pé-de-moleque. Por causa da sua hipersensibilidade ao açúcar, entrou em coma glicólico. Eu sempre fui louco por pé-de-moleque, então eu vi aquilo como um sinal: eu não podia deixar aquela moça morrer por causa do meu doce preferido! Fizemos lavagem estomacal e todos os procedimentos necessários e ela sobreviveu. Aí nos apaixonamos. Agora não sou mais louco por pé-de-moleque, sou louco por ela, meu pé-de-molequezinho...
Sra. Glee Kosey : Nunca pensei que o açúcar pudesse trazer o único doce permitido pra mim...você é meu doce exclusivo e sem contra-indicação, né amor?
Eu já tinha visto isso em filme, mas não sabia que acontecia na vida real. Menina linda. Menina linda tem um irmão com pequenos problemas mentais. Meninos não a consideram tão bonita, sabe-se Deus por quê. Meninos ainda têm outra razão pra não estar interessados nela. Frase de um deles: "Ah, a gente também tem que pensar em outras coisas, né? Ela tem um irmão 'dã-dã'. Vai que a gente namora e depois casa? Eu tenho genes saudáveis, não vou querer misturar meus genes com os dela...vai que ela também tem genes 'dã-dã' que vão passar pros meus filhos? Eu quero ter filhos normais..." O mesmo menino diz que essa opinião não é só dele, é dos outros meninos que a conhecem também.
Fiquei chocada. Aliás, ainda estou chocada até agora. Eu já sabia que tanto mulheres como homens procuram, instintivamente e inconscientemente, parceiros saudáveis, com boa probabilidade de produzir uma prole saudável. É nossa característica animal, o desejo de que os nossos genes se prolonguem sobre a terra. Mas sempre imaginei que isso fosse apenas instintivo, inconsciente. Nunca pensei que alguém fosse dizer isso de forma consciente e racional. Já tinha visto em filme, mas na vida real, não. É tão bizarro que chega a ser engraçado. Nunca imaginei que aqueles meninos estivessem tão preocupados com o futuro de sua prole. Com certeza a bela mocinha vai encontrar alguém que não tenha tanto medo de genes defeituosos...