"Os teus sonhos são Meus
Teus problemas são Meus
Tua vida também
É Minha vida
Eu de ti cuidarei
Nunca te deixarei
Os teus sonhos Eu realizarei
Vou te levar, te conduzir
E quando você alcançar
Saberá que em todo tempo Eu estive ao teu lado"
("Sonhos", álbum Reverência, de Chris Durán)
:Quem é essa garota?:
Priscila, 26, capixaba de olhos negros e riso solto
Concebida em Salvador, mas com alma cosmopolita
Direito no diploma, carreira diplomática na cabeça, concursos para alcançar isso
Paixão por línguas; inglês é bom pro chat, alemão, pro coração
Camarão, pão de queijo com manteiga, mas pizza sem catchup ou mostarda
39 no pé, magra sempre esbelta, loira desde penúltimo março
Piano clássico por dez anos, fotografia nos planos, pintura e cinema nos sonhos
Phil Collins, Bryan Adams, Rod Stewart, Rick Astley e o que mais a agradar
Inteligente, insegura, engraçada e fiel
Temperamental, impulsiva, mal-humorada e melancólica
Melhorar sempre é uma ordem
Deus está sempre ao seu lado
Agradece a você, que faz esse blog mais feliz!
:Status:
Ponto.de.Encontro
"Mais que vencedor eu sou!"
(Rom.8:37)
Segunda-feira, Novembro 28, 2005
Matemática, um suicida e verduras
Sábado fiz prova. Entre as questões, 10 de matemática. Resolvi todas. Pedi pra meu papito corrigir. Papito resolveu 8 (estavam certas) e disse que 2 seriam anuladas, porque ele não conseguiu resolver. Anuladas? Como assim anuladas, se eu resolvi? Expliquei direitinho pra papito como tinha feito o raciocínio. Ele aceitou e ficou quieto, como se pensasse: "Como é que essa menina formada em Direito resolveu, e eu, um engenheiro, não consegui resolver...?" Eu me gabei, claro. E ele ficou com aquele sorrisinho sem-graça, característico dele, quando não sabe o que fazer. Adorei, hihihi. Ah sim. Saiu o gabarito. Fechei a prova de matemática. Posso ou não posso me gabar? :D
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Minha mãe: Cadê aquele livro "Por que as pessoas sofrem de depressão?" Deve ter ficado deprimido e se matado, porque eu não tô achando...
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Eu e minha irmã discorrendo sobre a personalidade das verduras: o brócolis é divertido; o repolho é sem-caráter ("mas é tão gostoso":minha mãe...); a couve com cebola é sonsa; o tomate é um palhacinho; a beterraba é doce, mas também ressentida; a cenoura é intrometida; batata, uma chata; e o alface, simplório :D
Por essa eu não esperava. Ganhei uma alergia a detergente e produtos de limpeza: pontinhos vermelhos, nos dedos, que ardem no contato com essas coisas. Resultado? Agora tenho que usar luvas de látex. Logo eu, que sempre achei isso uma frescura. Ao menos minhas luvinhas são da Scotch-Brite e têm cheirinho de limão :D
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Por que é tão gostoso falar besteiras e rir até às lágrimas enquanto estou deitada na cama, no escuro, antes de dormir, conversando com minha irmã, deitada na cama ao lado, que não pára de falar no carinha que está a fim dela? A equação aritmética "estar deitado na cama" + "no escuro" + "antes de dormir" = "risadas e besteirol" é sempre tão exata que deveria ser pesquisada pelos matemáticos :D
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Minha mãe: Pri, você lê esses dois textos que escrevi?
Eu: O que eu vou ganhar com isso?
Minha mãe: Minha amizade eterna...
Eu: Pra que que eu quero isso?
Minha mãe: É, né? Só porque você sabe que já tem...
Claro, hihihi. Mas mesmo assim eu li os textos e opinei, como boa filha que sou :D
Patrícia, adorei seu post e imitei :D Beijos, linda.
Nunca quebrei um osso ou dente, mas já levei alguns pontos
Tenho flexibilidade de ginasta, mas nunca pratiquei nenhum esporte
Não tomo café
Pinto as unhas do pé
Meu pai me ensinou a nadar
Só uso tênis pra caminhada e corrida
Gosto de andar descalça
Já tomei banho de chuva (e quase perdi o pé da sandália no aguaceiro)
Freqüentemente dizem que minha risada é engraçada
Tenho alergia mortal a certos insetos (e uma vez quase morri por isso)
Não sei assoviar
Só usei salto alto depois dos 15
Deixei o conservatório de música aos 16
Entrei na universidade aos 17
Quis ser bailarina
Desenhei muito durante a infância (e depois comecei a escrever)
Gosto do cheiro de incenso
Acho atraente homem que cozinha
Dificilmente esqueço um rosto ou um nome
Não resisto a um pão de sal fresquinho com manteiga
Não tenho fobia
Não estalo os dedos (e não gosto de ver alguém fazê-lo)
Levei uns bons caldos no mar
Às vezes sonho que estou voando
Freqüentemente faço refeições em pé (com exceção do almoço)
Lixo as unhas das mãos, mas detesto fazer isso
Magôo-me facilmente
Perdôo facilmente
Rio facilmente
Não gosto de dormir tarde
Faço análise há 6 meses
Meu piano fez 20 anos esse ano
Ouço música enquanto tomo banho ou escovo os dentes
Não suporto ouvir Beatles e Rita Lee
Gosto de dançar quando estou sozinha
Não sei dançar
Já fui muito melancólica
Já tive cabelo comprido, curtíssimo, vermelho, e agora estou loira
Sempre quis morar fora do país
Quero conhecer o Marrocos
Já recebi ligações internacionais
Troquei correspondências por 10 anos com uma amiga
Há 4 anos tenho um amigo que conheci na Internet
Tive ramsters, mas nenhum gato ou cachorro
Quero três filhos
Não tenho medo de morrer
(Lembrei-me de um detalhe: "pão de sal" é "pão francês" em capixabês, okay? :D)
Costumava ouvir essa canção na Antena Um, no antigo programa só com músicas italianas. Embora atribuam sua autoria a Renato Russo (que a regravou no álbum Equilíbrio Distante), ela é de Paolo Vallesi e possui umas das letras mais fortes e belas que já ouvi. Doug, consegui letra e tradução na internet, e qualquer correção será bem-vinda.
É mesmo estranho que eu a tenha ouvido tantas vezes e ficado curiosa pra saber, afinal, o que era a força da vida e, somente hoje, tenha procurado saber. Segundo Vallesi, é a dignidade. Essa é a força da vida. E para mim, hoje, isso faz todo sentido.
Se quiser ouvi-la na voz de Renato Russo, clique aqui.
Anche quando ci buttiamo via
Mesmo quando nos mandamos embora
per rabbia o per vigliaccheria
por raiva ou por covardia
per un amore inconsolabile
por um amor inconsolável
Anche quando in casa il posto è più invivibile
Mesmo quando em casa é o pior lugar pra se viver
e piangi e non lo sai che cosa vuoi
e você chora e não sabe o que quer
credi c'è una forza in noi amore mio
acredite, há uma força dentro de nós, meu amor
più forte dello scintillio
mais forte do que um relâmpago
di questo mondo pazzo e inutile
do que este mundo louco e inútil
É più forte di una morte incomprensibile
É mais forte do que uma morte incompreensível
e di questa nostalgia che non ci lascia mai.
e do que esta saudade que nunca nos abandona.
Quando toccherai il fondo con le dita
Quando você tocar o fundo com os dedos
a un tratto sentirai la forza della vita
de repente sentirá a força da vida
che ti trascinerà con se
que o trará consigo
Amore non lo sai
Amor, você não sabe
vedrai una via d'uscita c'è.
você verá que há uma saída
Anche quando mangi per dolore
Mesmo quando você come com dor
e nel silenzio senti il cuore
e no silêncio sente o coração
come un rumore insopportabile
como um barulho insuportável
e non vuoi più alzarti
e não quer se levantar
e il mondo è irraggiungibile
e o mundo está inatingível
e anche quando la speranza
e mesmo quando a esperança
oramai non basterà.
já não for suficiente.
C'è una volontà che questa morte sfida
Há uma vontade que esta morte desafia
è la nostra dignità la forza della vita
é a nossa dignidade, a força da vida
che non si chiede mai cos'è l'eternità
que não se pergunta nunca o que é a eternidade
anche se c'è chi la offende
ainda que haja quem a ofenda
o chi le vende l'aldilà.
ou quem lhe venda o além.
Quando sentirai che afferra le tue dita
Quando você sentir que a segura entre seus dedos
la riconoscerai la forza della vita
você a reconhecerá, a força da vida
che ti trascinerà con se
que o trará consigo
non lasciarti andare mai
não se deixe partir jamais
non lasciarmi senza te.
não me deixe sem você.
Anche dentro alle prigioni
Mesmo dentro das prisões
della nostra ipocrisia
da nossa hipocrisia
anche in fondo agli ospedali
mesmo no fundo dos hospitais
della nuova malattia
da nova doença
c'è una forza che ti guarda
há uma força que cuida de você
e che riconoscerai
e que você reconhecerá
è la forza più testarda che c'è in noi
é a força mais teimosa que há em nós
che sogna e non si arrende mai.
que sonha e nunca se rende.
Coro:
E' la volontà
É a vontade
più fragile e infinita
mais frágil e infinita
la nostra dignità
a nossa dignidade
la forza della vita.
a força da vida.
Amore mio è la forza della vita
Meu amor, é a força da vida
che non si chiede mai
que não se pergunta nunca
cos'è l'eternità
o que é a eternidade
ma che lotta tutti i giorni insieme a noi
mas que luta todo dia do nosso lado
finché non finirà.
enquanto não terminar.
Coro:
Quando sentirai
Quando você sentir
che afferra le tue dita
que a segura entre seus dedos
la riconoscerai
você a reconhecerá
la forza della vita.
a força da vida.
La forza è dentro di noi
A força está dentro de nós
amore mio prima o poi la sentirai
meu amor, cedo ou tarde, você a sentirá
la forza della vita
a força da vida
che ti trascinerà con se
que o trará consigo
che sussurra intenerita:
que sussurra suavemente:
"Guarda ancora quanta vita c'è!"
"Veja quanta vida ainda há!"
Coisas estranhas estão acontecendo. De repente eu comecei a encontrar letras rabiscadas por todo lado, ou então papeizinhos amarelos com florzinhas azuis que me fazem lembrar algo que nunca aconteceu. De certas melodias surgem cenas que podem até acontecer algum dia, mas por enquanto estão guardadas dentro de um pássaro, dentro de uma caixa, dentro de uma pedra lá no fundo do mar, igualzinho à história infantil que li tantas vezes. Algumas vezes o som de gotas caindo se transforma num barulho ensurdecedor e tenho medo até das sinapses entre os axônios e dendritos dos meus neurônios. Qualquer escorregadela pode ser fatal, e eu pareço estar andando descalça sobre pedras cheias de limo verdinho e úmido. Já desejei lavar meu cérebro com água sanitária, mas eu acho que não vai dar certo. E algumas vezes tenho que me censurar por querer ser a diretora, roteirista e atriz da minha própria pecinha de colégio. Só que eu sou muito teimosa. E quanto mais eu me censuro, mais vou ficando fraquinha. Talvez até goste de me sentir fraquinha. Talvez seja até bom. E em certos momentos, por certos instantes, eu já não estou mais aqui, mas muito longe. Fazendo uma viagem a um presente inexistente, que eu ouso desejar como um futuro presente. Ou um presente futuro. Pode até ser uma lembrancinha de futuro. E quando acordo, vejo que tenho mais conjuntos de letras rabiscadas do que tinha antes. E junto com os papeizinhos também vêm rolos de filmes, e desenhos impressos em papel fotográfico. Estou guardando tudo. Mas mesmo se não quisesse guardar, os indícios ainda estariam aqui. Os rabiscos e os passarinhos desenhados nas paredes dizem tudo. São colibris, e com um arzinho de quem sabe a verdade, sabem que eu sei mas não vou confessar de jeito nenhum, eles voam, belos, exibindo seu brilho delicado. O que me salva é que, apesar de o Natal estar próximo, só o que tenho são letras rabiscadas e passarinhos desenhados. Por dentro, e não por fora. E como não sou enfeite natalino, pelo menos tudo isso não vai virar pisca-pisca e me denunciar. Ainda não. Por algum tempo, ainda estou salva.
Sara me mandou duas músicas árabes no formato Real Player. Quem quiser ouvir, é só pedir :)
"Como é mesmo aquela fórmula da hipotenusa e dos catetos"? Era a dúvida cruel da minha mãe, precisando das medidas pra fazer o modelo da 'árvore que canta' para cantata de natal das crianças. "O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos catetos", chutei. E chutei mal: o triângulo ficou aleijado, com a pobre da hipotenusa menor do que os companheiros catetos, o que é impossível. A bola foi na trave.
O jeito? Busca no pai virtual do burros, nosso querido e amado salve-salve Google. Fórmula certa: o quadrado da hipotenusa é igual ao quadrado da soma dos catetos, bobinha. Feitas as contas, tudo deu certo. O Google salvou o Natal. E minha mãe pensando: "E eu que achei que nunca ia precisar dessa fórmula na vida..."
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Eu tenho um certo horror a Papai Noel. Aquele velhinho sorridente, pra mim, esconde algo sinistro. Sei lá. Aquela carinha de bonzinho, bochechinhas rosadas e a indefectível mania de rir hohoho me soam muito estranhas. Deve ser por isso que eu não quero que meus futuros filhos acreditem nessa coisa. Já consigo até ouvir a voz da minha filhinha dizendo pros coleguinhas: "Papai Noel não existe, ele é só um símbolo do Natal!" - com a devida entonação aguda e cantante no "sím" e o terrível ar superior que a crianças exibem quando demonstram algum tipo de conhecimento. Pois é. No início eu até vou dizer que é um símbolo do Natal. Depois escracho e digo que ele é um símbolo consumista, que alçou o status de símbolo de Natal através de uma campanha da Coca-Cola há vááááários anos e foi disseminado pelo mundo só pra fazer as pessoas comprarem mais.
Mas eu vou confessar uma coisa: eu gosto mesmo é de presépio. Você é protestante; protestantes não têm presépios! Eu sei, eu sei...shhhh pode falar mais baixo, por favor? ;)
Vocês também têm medo das suas fotos 3x4? Jesus. As minhas são pavorosas. Parece que saíram do registro de entrada de alguma penitenciária. Ugh.
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Agora entendi por que minha amiguinha saudita deseja tanto engravidar, apesar de ela mesma dizer que se sente atarefada e confusa por ter que cuidar da faculdade, casa e marido: ela quer ter certeza de que não é estéril. Por isso quer ter um bebê agora, pra ter certeza de que pode ter filhos. Pobre amiguinha. Acho que a entendo. Atualmente eu não penso nisso, porque não vou ter filhos agora. Mas quando reflito sobre o momento em que vou querer ter, também bate um certo medo da esterilidade, apesar de não ter nenhum caso na família. Acho que toda mulher que quer ter filhos tem um pouco de medo, não?
Agora é que eu pensei uma coisa: e se o problema for com o marido dela? Ai. Melhor nem pensar.
Eu sempre achei que o Ramadã, o período em que os muçulmanos jejuam, acontecesse sempre em novembro. Pelo menos foi o que aprendi no cursinho. Ahã. Eu sempre achei. Até conhecer uma garota da Arábia Saudita. Ela esteve celebrando Ramadã durante o mês de outubro, e aquilo me soou muito estranho. Perguntei-lhe, mas ela não soube me explicar. Mas anteontem tive a oportunidade de conversar com o marido dela, sobre quem ela disse que estava "mais que contente por poder me explicar".
Pois bem. Ramadã começa no dia em que o Profeta Maomé saiu de Meca para Medina. Essa data, obviamente, é a sempre a mesma no calendário muçulmano. Mas não no calendário gregoriano. E isso porque o calendário muçulmano rege-se pelos meses lunares, que têm duração de 29 ou 30 dias. Já no calendário gregoriano, os meses têm entre 30 e 31 dias, com exceção de fevereiro. Isso faz com que haja sempre uma diferença de mais ou menos 11 dias entre os dois calendários, o gregoriano sempre tendo mais dias que o outro. Assim, o Ramadã nunca ocorre no mesmo período no calendário gregoriano: ele vai mudando de período a cada ano. A cada três anos, a festa 'muda' de mês, e a cada 33 anos, ela volta a ocorrer na mesma data. Só que essa mudança acontece de trás pra frente: assim, este ano o Ramadã iniciou-se no comecinho de outubro, no ano que vem, vai começar no finalzinho de setembro, e daqui a três anos, vai começar no finzinho de agosto. E daqui a 33 anos vai voltar a acontecer na mesma época em que aconteceu este ano. Entendido, senhores? Ponto de Encontro também é cultura :)
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E ontem aconteceu uma coisa interessante: Sara, essa garota saudita, está desejando engravidar. E pediu: Pray for me. Eu achei o pedido tão inusitado! Nunca pensei que uma muçulmana pudesse pedir a alguém que ela sabe ser cristã protestante para orar por ela...afinal, eu sou uma infiel! :D Mas eu achei legal, meio mágico. E já estive orando por ela. Ela é uma graça, acabou de fazer 20 anos (o marido tem 28), ainda tem um jeito engraçado de adolescente. Se Deus quiser, seu desejo vai se realizar :)
(É incrível o poder do jazz. Eu estava me sentindo tão mal, mas agora, depois de ouvir Tony Bennett, me sinto muito melhor. Já é a segunda vez que isso me acontece, na primeira eu ouvia Sinatra. Jazz tem o poder de mudar meu humor. É maravilhoso.)
__Ah, não sei bem...mas tem alguma coisa a ver com diamante.
__Diamante?
__É.
Ele ficou a observá-la, intrigado. Que tipo de resposta era aquela? Ao ser perguntada por que gostava dele, ela se saiu com essa. Ele, que esperava algo como "você me faz feliz" ou "você é uma gracinha", sentiu-se bastante confuso. "Isso não faz o menor sentido; que garota louca!"
Ela pareceu ler seus pensamentos e sorriu um sorriso maroto, tomando o sorvete. "O que isso quer dizer? Diamante?", ele pensou. "A única coisa que vem à minha mente é o Gollum dizendo: My preciousss, my preciousss n'O Senhor dos Anéis...mas é claro que isso não tem nada a ver! O que ela quer dizer?"
Ela tinha pedido sorvete italiano misto com cobertura de chocolate quente. Ele tinha dito que ela ia sujar os dedos, mas ela não se importou, com seu jeito de menina decidida. Logo o sorvete escorreu e ela, olhando para ele com cumplicidade, deu uma lambidinha nos dedos, sem nenhum rastro de irritação. O irmão dele sabia imitar de forma perfeita o Gollum. "My preciousss...my preciousss." Ela tinha se esquecido de pedir a pazinha - ou não tinha pedido de propósito? - e continuava a duelar com o doce, que derretia mais rápido do que ela podia comer, o que lhe soava divertido. "My preciouss...meu precioso." Deu outra lambidinha nos dedos e de súbito percebeu que o vento ameaçava jogar gotas da guloseima na roupa. Riu e disse qualquer coisa sobre andar de costas, o que o fez rir. Sem qualquer sinal de contrariedade, começou a andar a favor do vento, e lembrou-se de quando era criança, quando o pai lhe comprava picolé e dizia para fazer assim, pra não se sujar. Ele só a observava. Ela ainda riu, dizendo algo sobre ser derrotada por uma mistura de leite, gordura e chocolate. "Meu precioso, meu precioso." Sujou o cantinho direito da boca. Ele fez um sinal e ela limpou com a língua, sorriu. Pareceu-lhe ainda mais encantadora, com um arzinho desafiador. Tirou o restinho da casquinha de dentro do guardanapo e comeu, então tentou com ele limpar os dedos. Impossível. O guardanapo também estava sujo. Seu rosto mudou numa expressão engraçada. Assoprou os cabelos dele e disse, graciosamente, que precisava encontrar um banheiro. E então ele compreendeu.
__ Eu já sei o que é. Você gosta de mim porque...sabe que é preciosa para mim!
Ela sorriu. Ele, ansioso, esperando.
__Amor, você tem razão...é isso mesmo. Como sabe que eu me sinto assim?
__ Ahn...não sei - respondeu, rindo.
Mas ele sabia. Há coisas que não precisam ser ditas. Há uma doce linguagem subterrânea que se esconde por detrás dos atos, e é tão forte como as palavras, mas é suavemente percebida com o coração...
(Inspirado em Adriana Calcanhoto cantando Fico assim sem você. Essa canção grudou de tal forma no meu cerebelo, que não sai nem com cirurgia. Mas eu nunca fui fã de Claudinho e Buchecha, juro! :D)