"Os teus sonhos são Meus
Teus problemas são Meus
Tua vida também
É Minha vida
Eu de ti cuidarei
Nunca te deixarei
Os teus sonhos Eu realizarei
Vou te levar, te conduzir
E quando você alcançar
Saberá que em todo tempo Eu estive ao teu lado"
("Sonhos", álbum Reverência, de Chris Durán)
:Quem é essa garota?:
Priscila, 26, capixaba de olhos negros e riso solto
Concebida em Salvador, mas com alma cosmopolita
Direito no diploma, carreira diplomática na cabeça, concursos para alcançar isso
Paixão por línguas; inglês é bom pro chat, alemão, pro coração
Camarão, pão de queijo com manteiga, mas pizza sem catchup ou mostarda
39 no pé, magra sempre esbelta, loira desde penúltimo março
Piano clássico por dez anos, fotografia nos planos, pintura e cinema nos sonhos
Phil Collins, Bryan Adams, Rod Stewart, Rick Astley e o que mais a agradar
Inteligente, insegura, engraçada e fiel
Temperamental, impulsiva, mal-humorada e melancólica
Melhorar sempre é uma ordem
Deus está sempre ao seu lado
Agradece a você, que faz esse blog mais feliz!
:Status:
Ponto.de.Encontro
"Mais que vencedor eu sou!"
(Rom.8:37)
Terça-feira, Agosto 29, 2006
Presente doce
Chegou uma nova estagiária na Infância pra se juntar a nós três. Por conta disso, no primeiro dia da menina Chefinho entrou no cartório e anunciou, de forma solene: "A casa das quatro mulheres." Hohoho.
Por falar em Chefinho, na sexta, dia de os-gatos-saem-de-casa-os-ratos-fazem-a-festa, ele ganhou de um requerente um saco cheio de suspiros, e o colocou na mão de Mari. Mari levou pra Infância. O resto vocês podem imaginar. Dim, o estagiário, se juntou a nós e não sobrou suspiro pra contar história. Ou melhor, sobrou sim. Um, que eu dei pro estagiário da Contadoria. Quando Chefinho veio procurar o doce...hihihihi a gente tinha comido tudo. Ele fez ar de bravo e disse: "Mas não era pra comer tudo, era um pra cada um!" Ué, mas a gente não sabia... E um tempinho mais tarde, quando fui no Criminal fazer não me lembro o quê, ele disparou com ar emburrado: "Você comeu o doce todo!" Eu: "Mas a gente não sabia que não podia comer tudo, você não falou nada..." Ele: "Mas o doce era meu!" Eu, sonsa: "Ah, mas não tinha nome no saco..." Pois bem, eu fiquei com pena do Chefinho. Ou talvez minha consciência pesou, vá saber. O fato é que no sábado, na minha cidade natal, comprei suspiros de limão num lugar onde se vendem delícias de encher a boca d'água. E na segunda-feira levei pro Chefinho. Quando fui entregar, ele recusou, perguntou se eu tinha ficado ofendida pelo que ele tinha falado, e tal, mas eu disse que não, que ele tinha que aceitar porque eu tinha comprado pra ele. Aí foi só ele colocar um suspiro na boca e...não falou mais em recusar o presente hohoho. Mas o mais engraçado foi depois: ele não levou o doce pro Criminal, pelo contrário, deixou o pote na Infância, dizendo que era pra eu guardar as "guloseimas" e não deixar ninguem comer, porque eram só dele, e assim, de vez em quando ia até o nosso cartório, pegava um punhado, sorria pra mim com um ar de criança absolutamente contente, e saía comendo, todo satisfeito. Nesse ritmo, é claro que vai ter suspiro até o fim da semana hohoho. E Mari, que toda hora que saía da sala de audiência, ia até a Infância surrupiar suspiros, respondeu, quando lhe disse pra não comer o doce do Chefinho: "Não, eu vou comer sim, porque você não trouxe nada pra mim!" Hohoho, céus, que gente mais ciumenta...!
Comprei dois sapinhos de resina, gordos, mexicanos, com "sombrero", violão e violino, e ar de cancioneiro apaixonado. Estão lá em cima da geladeira, alegres e cantarolantes. Eu, ao invés de pingüim, tenho sapos em cima do refrigerador...vá entender hihihi.
Sei não. A urucubaca anda solta entre a magistratura estadual. Em um mês, três juízes morreram. Primeiro, o cunhado de Sua Excelência, o juiz adjunto (o "boca-suja"). Depois, outro juiz. E agora, a diretora do Fórum onde trabalho. Foi num acidente de carro ondem também estavam o juiz adjunto e o juiz de Família; eles estavam indo para o Fórum. Quando Mari me contou, fiquei chocada. Todos ficamos. Eu não tive muito contato com ela, mas pelo pouco que percebi, ela parecia um pessoa muito doce e simples. A única coisa que me consola é saber que os outros juízes estão relativamente bem (o de Família sofreu fratura no nariz e na órbita do olho direito), principalmente Sua Excelência, o juiz adjunto, que sofreu um fratura leve no braço direito e, dos três, foi com quem tive mais contato. Esse acidente me faz pensar que Deus o está, como diz um dos personagens do filme O Conde de Monte Cristo, "observando-o com o cantinho dos olhos".
Se você pudesse escolher uma coisa para fazer nos seus trinta últimos segundos de vida, o que você escolheria? Eu escolheria dançar qualquer coisa, bem juntinho, com meu monitor "objeto-do-desejo". Foi só esse tempo que ele precisou pra me fazer derreter completamente, depois de quatro sábados sem dançar com ele. Sábado passado tivemos "um dia inteiro de aulas grátis" na academia. Foi o máximo! Fiz uma hora e meia de zouk, tendo como par um gaiato que estava, com outro gaiato, praticamente com o nariz encostado no vidro, espiando a aula. A professora os chamou pra participar, convencendo-os com o argumento de que "os homens dizem que dançar é coisa de gay...mas ficar uma hora abraçado a uma mulher, agarrado com uma mulher, conduzindo uma mulher lá é coisa de gay?" Pronto. Isso foi o bastante pra mexer com a masculinidade dos dois cidadãos, que entraram e fizeram a aula. Meu par até que era determinado, mas não tinha a menor noção de ritmo, tadim hihihi. Depois fiz uma hora de salsa com um senhor, aluno da academia, que dança super bem e que me fez rir, sem querer, até às lagrimas hohoho. Depois, uma hora de forró com um bolsista que ainda tem que comer muito feijão com arroz pra aprender a pegar uma mulher de jeito...forró só tem graça agarradinho, viu? Hihihi. Depois da aula de forró, o pessoal que estava fazendo tango no andar de cima desceu pra ver uma exibição de tango dos professores. Eu, mais pra lá do que prá cá depois de três horas e meia dançando, estava enconstada a uma das barras. A luz estava apagada e só havia uma luminária acesa: isso, para criar o clima da aula de salsa. Ele, que tinha descido junto com a turma de tango, veio em minha direção, e sem dizer uma palavra, me enlaçou e dançou comigo eu nem sei o quê, só por trinta segundos, tempo necessário para os professores se prepararem para dançar. Foi o bastante pra me derreter. Agora eu entendo porque às vezes certas mulheres se envolvem em relacionamentos que não dão certo, mas não conseguem se livrar do companheiro: eles só precisam tocá-las...e o feitiço está feito. Se eu encontrasse um homem, que pudesse ser meu (sim, porque esse é comprometido) que, ao me tocar, me fizesse sentir como ele me faz sentir, eu iria atrás desse homem até o fim do mundo. Sem pestanejar.
Ah, sim. Depois de três horas e meia dançando, só não acordei no outro dia completamente dolorida, por conta da minha irmã, formada em Educação Física: ela me fez fazer uns alongamentos-nona-maravilha-do-mundo que me fizeram relaxar completamente hihihi. Bom ter uma irmã sabichona, né? Hohoho.
Essa semana foi escandalosa. Tivemos uma adolescente que, ao ser informada por Sua Excelência que continuaria internada na UFI, chamou a atenção de meio Fórum batendo nas grades da cela e gritando palavrões e impropérios de corar qualquer cristão - além de deixar escrito na parede um aviso em código para amigos meliantes que talvez aparecessem por lá. Além disso, recebemos um CD contendo cenas de sexo e fotos eróticas de adolescentes (não, eu não vi, ninguém viu, só a sobrinha de Mari, que trabalha no protocolo e teve a cara-de-pau de abrir o envelope hohoho), feitas com o consentimento das próprias, que jamais pensaram que suas estripulias iriam parar nas mãos da Polícia. Resultado? O corredor cheio das atrizes ("todas barangas", segundo Mari), que no final acabaram sendo mandadas pro pobre Promotor de Justiça, que teria que se ver com as mais novas estrelas do cinema pornô de quinta. Se é que existe cinema pornô de primeira...
Mas deixando de lado o cinema nacional, Chefinho continua terrível. Para meu horror, o novo pretendente que ele me arranjou foi...não, eu devo estar pagando pelos pecados! sim, foi o assessor-altão-antipático-magricela, argh! Tudo por conta de uma resposta malcriada que a estagiária disse que eu dei ao dito cujo (e eu não dei), resposta essa que ela repassou pra esposa do Chefinho que, é claro, contou pra ele. E agora, Chefinho diz que diz que o mal-estar que tive na semana passada foi apenas... proporcional à minha mais nova paixão! Eu posso com isso? Se a história ainda ficasse entre o povo do cartório, vá lá...mas Chefinho é doido o bastante pra contar pra não-membros do Criminal-Infância, siiiiim, ele também faz isso hohoho. E o engraçadíssimo foi hoje, quando ele me viu de bermudinha bege e tamanquinho: "Priscila, o que é isso?! O que é isso, Priscila?! Com "os mocotó" de fora? E de salto alto?? Você não era assim!" E fingiu me dar bronca, dizendo que eu não estava controlando minha paixão, porque, com certeza, eu só tinha ido trabalhar desse jeito pra chamar a atenção do mais novo pretendente hohoho. Céus, eu devo merecer!
Ahn. Comprei meu sapatinho Capézio pra dançar. Como todo sapato fechado de dança, é preto e feio hu-hu-hu, mas desliza que é uma beleza, a-m-e-i! Não, não estreei com meu "objeto-do-desejo", mas sim com outro bolsista, com quem me diverti horrores. Pois não é que ele encafifou que o nome de um dos passos do soltinho é "rocambole"? Hihihi. O substituto do 'fessor tinha dito que era "iô-iô", o bolsista achava que era "rocambole" e nenhum de nós dois teve coragem de perguntar o nome correto na-na-na.
U-hu. Pois é. Quis estudar francês mas aqui no interiorrrr só tem inglês e espanhol. Bah.
Beijos, fofos.
Ah, pra quem não sabe: "mocotó" é canela em capixabês hihihi.
Tive um piripaque e fui parar no hospital. Assim, de repente. Um cólica monstruosa, depois comecei a suar frio, sei lá se minha pressão baixou, mas eu, apoiada sobre a mesa, não tinha força nem pra dizer "ai". O povo do cartório me botou no carro do Conselho Tutelar e lá vai Priscila pro hospital, mais pra lá do que pra cá. Sim, porque eu já estava encomendando a minha alma ao Senhor. Lá no pronto-socorro, me puseram numa maca, mas a dor já tinha passado, e só me sentia grogue. Quando o doutor chegou, eu já conseguia falar, ele me fez umas perguntinhas ("Tá menstruada?" foi o basicão, claro), e deve ter achado que era frescura minha, porque não me deu menor bola. Mas eu também não queria bola nenhuma, queria era ir embora, já que à direita uma velhinha gemia, e à esquerda outra pessoa chorava. Logo que me senti melhor, saí da maca e fui sentar no corredor, onde Di, que me socorreu, disse que ia na recepção, que eu teria que fazer uns exames e avisou: "Não foge não, hein?" Quem? Eu? Fugir? Das duas, uma: ela deve ter lido meus pensamentos ou eu tenho cara de fujona, porque era exatamente isso que eu estava pensando em fazer. E não seria a primeira vez...bom, na primeira vez, eu só tinha dois anos, e disse pro meu vô: "Vô, quero ir embora..." Até hoje eles devem estar procurando uma garotinha que tinha levado uns pontos porque caiu da escada...
Hoje, é claro, a pergunta que mais ouvi foi: "E aí melhorou?" Quase que pendurei uma plaquinha no pescoço, em três idiomas diferentes: "Estou melhor" hohoho. Chefinho me deu umas broncas, perguntando se eu estava me alimentando bem, mas tinha que me sacanear perguntando se não era gravidez hohoho. Mas como ele é um chefe absolutamente adorável, disse que eu só precisava cumprir o que era urgente no cartório, e depois já estava liberada. Assim, às duas da tarde saí do trabalho e já estou aqui, na casa dos meus pais, alegre e feliz da vida yeah!
Ah, sim, e o estagiário, ao invés do habitual comportamento implicante e mau-educado, hoje estava carinhoso, só me perguntando: "Priscila, Priscila, o que você quer, hein?" e ainda passou a mão no meu cabelo, como se eu fosse um filhotinho de cachorro. Claro que esse carinho foi só por causa do piripaque. Na segunda, ele vai voltar mau-educado e respondão como sempre, um amor hohoho.
No fim da contas, é bom saber que, mesmo longe de casa, há pessoas solidárias e adoráveis o bastante pra cuidar de mim. Mari, o conselheiro tutelar, Di, Chefinho, minha senhoria e sua mãe...todos absolutamente formidáveis, pessoas especiais demais. Ah, agora só falta contar pra minha mãe e pra papito, que não estão aqui em casa agora ("Cadê todo mundo?"), e pra quem eu não contei nada pra não alarmar. Aliás, eles nem sabem que eu viria hoje hohoho - surprise! Vou curtir minha sexta "dia do pendura" e desestressar, porque eu acho que esse piripaque deve ter alguma a coisa ver com tensão.
Sexta passada, alguém abriu a porta do cartório da Infância, virei-me pra olhar quem era; era o estagiário, que, implicante e mal-educado, perguntou: "Que que é que tá me olhando?" Eu, brincando, respondi: "Estou te apreciando!" Mal terminei a frase, quando percebi, ele já estava atrás de mim, dando-me um tapinha amigável no ombro e dizendo, com a linda ingenuidade dos vinte anos: "Eu também te aprecio às vezes, tá?" Hohoho. O mais engraçado é que mais tarde, quando já estava na hora de ele ir embora, ele voltou ao cartório, abriu a porta e perguntou: "Priscila, eu estou indo embora agora, você não quer me apreciar mais um pouco? Você vai ficar dois dias sem me ver..." Mari insistiu pra eu olhá-lo, e eu, que a esta altura do campeonato já estava morrendo de vergonha da situação, voltei-me pra ver a cara sorridente da criança na porta, que depois ainda insistiu: "Já me apreciou o bastante? Eu vou embora..." Eu, azul-roxa-cor-de-rosa, assenti com a cabeça, de costas; ele se despediu educadamente (que contraste!) e foi embora - com certeza, se sentindo o máximo. Ai, ai, essas crianças...hohoho.
Chefinho, o escrivão mentiroso costumaz, diz que quando cheguei ao cartório, "usava roupa de astronauta": gola alta e manga comprida hohoho. Mentira, claro. Mas é só um motivo pra implicar com meu estilo blusinha-calça-jeans, que ele diz que a cada dia andam mais curtas hihihi que mentira. No fundo, é só pra mexer comigo mesmo. Acho que ele pensa que tem que me arranjar pretendentes e cuidar pra que eu ande vestida decentemente hohoho. Aliás, meu jeito de se vestir gerou elogios de Sua Excelência logo que cheguei. Ele definiu meu estilo como "bem vestida, mas discreta" hohoho. Mas Chefinho tem que pegar no meu pé e inventar que estou chamando a atenção do estagiário, que naquele momento, de mau-humor, tinha os olhos grudados na tela do computador...e a situação ainda gerou comentários do assessor-altão-antipático-magricela que, na porta do cartório, esperando o desfecho da minha conversa com Chefinho, implicou com o mau-humorado: "Tá arranjado, hein?" É, nesse dia ele tava simpático hohoho.
Hoje foi niver da Juíza diretora do Fórum. Salgadinho, refri e bolo no Salão do Júri. Sua Excelência, o juiz substituto, que só agora voltou dos dias de nojo (nome esquisito que se dá aos dias de folga da pessoa cujo parente morre), até pareceu mais alegrinho do que no início do dia, quando o vi conversando com a esposa do Chefinho. Mexeu com Jose, que comia sem parar: "Você já cumprimentou a Juíza, Jose?" Hohoho.
É, queridos. Sexta é dia do pendura e não tem expediente no Fórum. Dia do pendura? Pendura a conta hohoho. Dia do advogado, claro. Eles ficam de folga e nós também, hurrah! Vou aproveitar pra comprar meus sapatinhos de dançar e um CD novo.