"Os teus sonhos são Meus
Teus problemas são Meus
Tua vida também
É Minha vida
Eu de ti cuidarei
Nunca te deixarei
Os teus sonhos Eu realizarei
Vou te levar, te conduzir
E quando você alcançar
Saberá que em todo tempo Eu estive ao teu lado"
("Sonhos", álbum Reverência, de Chris Durán)
:Quem é essa garota?:
Priscila, 27, capixaba de olhos negros e riso solto
Concebida em Salvador, mas com alma cosmopolita
Direito no diploma, carreira diplomática na cabeça, concursos para alcançar isso
Paixão por línguas; inglês é bom pro chat, alemão, pro coração
Camarão, pão de queijo com manteiga, mas pizza sem catchup ou mostarda
39 no pé, magra sempre esbelta, loira há dois anos
Piano clássico por dez anos, fotografia nos planos, pintura e cinema nos sonhos
Texas, Jamie Cullum, Rod Stewart, Phil Collins, Rick Astley e o que mais a agradar
Inteligente, insegura, engraçada e fiel
Temperamental, impulsiva, mal-humorada e melancólica
Melhorar sempre é uma ordem
Deus está sempre ao seu lado
Agradece a você, que faz esse blog mais feliz!
Ponto.de.Encontro
"Mais que vencedor eu sou!"
(Rom.8:37)
Sexta-feira, Novembro 24, 2006
A chave
Parece que finalmente encontrei a chave pra desatar os nós em que eu me encontro desde que...hmm...desde que me entendo por gente, eu acho. Eu estou mudando! Eu estou mudando! Na última sessão, contei um sonho à minha terapeuta que, depois de explicado, me mostrou, afinal de contas, porque eu sempre vivi desse jeito, sem me aproximar completamente das pessoas. E depois dessa sessão....caramba, alguma coisa aconteceu dentro de mim, porque...eu estou diferente! Isso é...absolutamente fantástico e...putz, nem dá pra explicar como eu estou feliz. Eu estava tão angustiada, porque há meses estou tentando achar as respostas. Mas isso não é uma coisa que acontece de repente. O subconsciente vai tateando, investigando, analisando, tentando achar os caminhos, as pistas que levam aos "porquês". E quando ele encontra o motivo do conflito...vem a cura. E é assim que estou me sentindo. Estou feliz. Estou orgulhosa de mim, porque só eu sei como eu sofri, como é barra enfrentar uma sessão de análise. Você se sente masoquista, porque sofre que nem cachorro, vai pra sessão, sofre mais ainda e continua sofrendo até o próximo encontro. Mas está aí. Finalmente...graças a Deus :)
Essa semana tivemos curso, com duração de uma semana, de "Relações Humanas e Atendimento ao Público". E uma coisa me deixou super feliz. No curso de "Motivação", há duas semanas, a instrutora explicou uma tal teoria dos chapéus: existem seis "chapéus", um de cada cor, que as pessoas usam de acordo com as situações. O vermelho é o carinho, emoção, paixão; verde, criatividade, motivação; amarelo, brilho, alegria; branco, paz, moderação, tranqüilidade; azul, organização, responsabilidade, ele coordena o uso dos outros chapéus; e o preto, cautela. Bom, depois, cada um recebia uma folha branca colada às costas, e os elementos do grupo iam colando quadradinhos segundo a cor do chapéu que você achava que o outro mais tinha, isso sem que a pessoa soubesse que cor recebia. Depois, a turma toda ia colando em todo mundo, e só mais tarde a instrutora permitiu que descolássemos a folha das costas pra descobrir como estava. E ela dizia que se a folha não tinha as cores que você queria ter, era sinal de que alguma coisa tinha que mudar em você. Bom, eu recebi 7 pretos, e mais seis, um de cada cor. Era um resultado que eu já previa. Quem tem contato comigo, quem me conhece, seria capaz de ver em mim carinho, ou brilho ou criatividade. Mas os que não tinham muito contato só veriam o preto, a cautela, pelo fato de eu ser muito fechada.
Mas aí...no curso desta semana, olha só o que me acontece: na terça-feira, num determinado momento, a gente tinha que falar sobre quem éramos há sete anos, quem somos hoje, e o que gostaríamos de ser daqui a sete anos. Dim, que estava do meu lado, quando começou falar o que ele queria pro futuro, que era poder morar com o pai e a irmãzinha (os pais são separados e ele não teve muito contato com o pai, só atualmente é que eles estão mais juntos), começou a chorar sem parar. Eu, que estava do lado dele, pus o braço sobre suas costas. Depois a própria instrutora veio e ficou ao lado dele, abraçada, enquanto outros falavam, e depois que ela saiu, me pediu pra continuar ali, dando apoio. Depois do curso, quando eu já estava no Cartório, trabalhando, Chefinho veio e comentou, brincando, mas mesmo assim, falando a sério: "Eu bem que sabia, quando eu colei um quadradinho vermelhão nas suas costas, que você era amiga e solidária...foi só ver você lá atracada com Dim (ele tinha que me gozar, claro), que eu vi que eu tinha razão..." Puxa. Fiquei super feliz. Eu sabia que ele tinha colado alguma coisa, mas não tinha idéia do que seria, até fiquei achando que seria o verde. Mas meu Chefinho viu mais em mim, me viu como alguém que é amiga e solidária! Nem sei em que situação de trabalho ele percebeu isso em mim, nem sei como ele viu, mas ele viu, e isso me deixa muito, muito, muito feliz. E não foi só o Dim que eu apoiei. Uma das pedagogas da equipe, uma pessoa super carinhosa e humilde, que sempre me trata com muito carinho, começou a chorar sem parar (antes do Dim) e nem conseguiu dizer nada. A instrutora também ficou ao lado dela, abraçada, mas eu, que estava do outro lado do círculo, queria fazer alguma coisa pra demonstrar meu carinho. Saí, peguei um copo de água na cozinha, levei pra ela e a abracei. Foi um jeito de mostrar que eu me importava. Sei lá...esse tipo de coisa pode parecer muito simples, mas pra mim, que sempre fui fria, é muito importante. É um passo novo, é um momento novo. Ter coragem de fazer esse tipo de coisa...é novidade pra mim. No encerramento do curso daquele dia, eu a abracei, disse a ela o quanto gostava dela, que ela merecia ser muito feliz por ser quem era...ela disse - coitada, com o rosto inchado e vermelho de tanto chorar - que tinha carinho por mim, eu afirmei que sentia isso. E quanto ao Dim...no encerramento daquele dia eu pedi para dar um abraço nele, abracei-o e lhe dei um beijinho. Demonstrar carinho é novidade pra mim. É uma vitória. Estou vencendo meus próprios conflitos, e só posso me sentir grata a Deus por isso, que me deu a oportunidade de passar pela terapia. Isso é bom, não é? Estou muito feliz :)
Percebi que preciso encontrar meu ponto de equilíbrio na dança. Há uma diferença singela quando olho no espelho e vejo a mim e ao professor dançando: eu não encontrei ainda o ponto de equilíbrio do corpo, por isso meus movimentos não são semelhantes aos dele. O que eu não sei é se isso é algo que se descobre aos poucos ou se eu já deveria tê-lo encontrado. E pensando bem...também preciso encontrar meu ponto de equilíbrio entre o que sou e o que quero ser. A questão é que parece não haver um ponto de equilíbrio entre esses dois estados: ou eu deixo de querer controlar tudo e solto a mão, ou continuo querendo controlar...e permaneço infeliz.
Às vezes encontramos pessoas interessantes. Como o dono da Joalheria Brilhante, que no fundo não passa de uma birosquinha de um metro por um metro e meio no meio de uma galeria no centro da cidade. Levei meu relógio lá para que ele corrigisse o "belíssimo" trabalho que uma belíssima loja de conserto de relógios do Shopping fez: trocaram o vidro trincado por um novo, mas colaram esse novo vidro com quatro pontos visíveis de cola, um obra-prima. "É, ficou feio mesmo..." concordou o dono da birosquinha, após me explicar que o funcionário da loja do Shopping tirou "não sei porquê", acrescentou, a película que mantém o vidro unido ao relógio. "Você quer que eu mantenha esse mesmo vidro?" perguntou. Eu disse que sim. Ele limpou os restos de cola deixados pelo competente funcionário do Shopping, misturou duas substâncias em cima de uma caixinha de papelão colorida, passou no relógio e colou o vidro. Mostrou-me o trabalho: perfeito com deveria ser. Para que eu não tivesse que esperar, pôs um fita adesiva por cima do vidro e me disse pra deixá-la durante 15 minutos, o tempo de secagem. Quando perguntei quanto lhe devia, respondeu, balançando a cabeça: "Nada não." Agradeci e me despedi, intrigada com o homem. Ele poderia ter dito que precisava trocar o vidro por outro, ou inventar quaquer coisa e cobrar pelo vidro, cola e mão de obra. Mas deixou na base da amizade, do dom, da graça. "Nem saber ganhar dinheiro ele sabe..." comentei com minha mãe. Por isso fica ali naquela birosquinha exposta, fazendo pequenos serviços à vista de todos. E por quê? Eu não sei. Por que ele não tem ambição? Em frente da birosquinha há uma verdadeira joalheria, com relógios e jóias expostos. E ele na birosquinha. Eu não sei. Eu acho que ele é feliz com o que faz e com o que tem. Ou melhor, é feliz com o que faz e com o que é. Não está interessado em ter, em possuir. Se ele pode trabalhar, consertar os relógios com perfeição e competência, pra ele tá bom. É o que eu imagino. E se for assim, ele está na contramão dessa sociedade maluca em que vivemos, em que o mais importante é o que está fora, o que pode ser exibido, comprado, vendido, trocado. E tudo isso que pode ser comprado, vendido, trocado não traz felicidade, de maneira alguma. Ela está dentro, onde não se vê, não se toca, não se vende, não se compra. Imagino que aquele homem seja feliz, imagino que ele tenha encontrado seu caminho de felicidade. O que é a felicidade pra ele, eu não sei. Mas com certeza não está na joalheria em frente, ou em nada que aquelas jóias significam. Deveria ter conversado com ele. Mas isso está entre as coisas que eu ainda preciso aprender.
Assistimos vídeos, desenhamos, pintamos, recortamos, dançamos Macarena, brincamos de dança da cadeira, rimos até não poder mais e, fora isso, assistimos umas palestras legaizinhas e outras nem tanto. Em resumo, esse foi o tal curso de Motivação. Nada mau, mas acordar cedo todo dia foi o fim do mundo, e não só pra mim. Nem banho quente conseguia me fazer sentir acesa, eu ia pra lá meio-dormindo-meio-acordada. Puxa, eu só trabalho a partir do meio-dia, né? Me dá um desconto hohoho.
Amanhã começo a freqüentar um cursinho. Lá vai Priscila de caderno, Vade Mecum, e coisinhas novas pra aula. Porque a vida segue e eu quero sair do interior e voltar pra capital, né? Hihihi.
Um pouco de organização não faz mal a ninguém. Mas lá no cartório fazemos tudo ser o cúmulo da organização. Por quê? Por que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, e o lado mais fraco somos nós. Dia desses eu quase tive um piripaque com um processo que, hipoteticamente, tinha desparecido. O estagiário disse que entregou pro promotor, Mari disse que o promotor devolveu pra ela, e cadê o infeliz do procedimento? Nem era nada demais, era um pedido de autorização de evento, mas era um processo e se tivesse sumido...ai de nós. Depois de procurar o cartório quase todo, lá vem o assessor com um bolinho de processos e aí eu tiro de dentro do bolinho...o dito cujo. Ai, me deu até um calor. O infeliz tinha saído das mãos do promotor para o juiz sem passar pelo cartório, e o processo que o promotor tinha entregado para Mari tinha sido outro. Argh. Sem controle obsessivo sobre os processos, nossa vida seria assim, uma sucessão de sustos desnecessários.
Ah. Estou cansada e triste. É tpm. E algo mais. Beijos.
"O amor nos tempo do cólera". É o segundo livro de Gabriel García Marquez que eu leio. O primeiro, "Crônica de uma morte anunciada", me fez compreender porque ele é um ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. E o segundo me dá a sensação certa de estar mesmo diante de um artista da prosa. Gabriel escreve de um jeito que eu chamaria de "orgânico" - poderia também dizer que é "visceral", mas soaria muito agressivo, e a literatura que ele faz não tem nada de agressiva, pelo contrário, é leve e ao mesmo tempo densa; é cantarolante, alegre; às vezes engraçada, mas também reflexiva, pesarosa, irônica, fatalista. E ele ainda descreve sentimentos e coisas de uma forma sensual, mas não o sensual referente à sensualidade, mas referente aos sentidos: "erosão cada vez mais inquietante da memória"; "havia pensado com um latejar de desolação";"sorriu aos dois das brumas do seu abatimento"; "o humor do céu tinha começado a se descompor desde muito cedo"; "compreendeu tarde demais que não havia candura mais perigosa que a da sua idade", e expressões assim, que me fazem pensar se surgem naturalmente da mente de Gabriel, ou se ele precisa pensar e parar pra se inspirar e reescrever trechos. Nem passei da página 50 de "O amor..." mas já elegi esse velho señor colombiano um dos meus escritores preferidos.
Em contrapartida, um garoto de 26 anos, britânico como tem que ser, é o que mais tenho ouvido esses últimos dias. "Twenty Something", de Jamie Cullum, é minha melhor descoberta musical desse ano. Ele faz jazz, e olha que eu nem entendo nada de jazz, mas a gente precisa entender pra gostar? É só se deixar levar por essa música que eu também - vejam só! - classificaria como "sensual". É como se os instrumentos falassem por si próprios, e acompanhassem o cantor, fazendo backing vocal. Há Cole Porter, há também duas belas composições do Cullum, e vocês podem experimentar e provar se esse menino não é mesmo um prodígio. Esse álbum foi lançado em 2003, portanto Jamie tinha só 23 - "I'm twenty something" como diz uma das canções - e já mostrava seu indiscutível talento. Bom, indiscutível pra mim hehe. Mas pra não deixá-los com água na boca,
aqui vai o link pra ouvir dois álbuns inteiros: "Twenty Something" e "Catching Tales". Eu recomendo o primeiro. Ouça e apaixone-se.
E agora, alguém aí sabe algo bom pra ninar uma garota de 27 anos que está sofrendo desesperadamente de insônia a essa hora da madrugada? 'Brigadim. E beijos-sonolentos-acordados.