"Os teus sonhos são Meus
Teus problemas são Meus
Tua vida também
É Minha vida
Eu de ti cuidarei
Nunca te deixarei
Os teus sonhos Eu realizarei
Vou te levar, te conduzir
E quando você alcançar
Saberá que em todo tempo Eu estive ao teu lado"
("Sonhos", álbum Reverência, de Chris Durán)
:Quem é essa garota?:
Priscila, 27, capixaba de olhos negros e riso solto
Concebida em Salvador, mas com alma cosmopolita
Mora sozinha no interior, fins de semana na capital
Direito no diploma, servidora estadual efetiva, Ministério Público na cabeça
Paixão por línguas; inglês é bom pro chat, alemão, pro coração
Camarão, pão de queijo e sorvete italiano são bem-vindos
39 no pé, magra sempre esbelta, loira há três anos
Dança de salão aos sábados, piano clássico por dez anos, fotografia nos planos
Jamie Cullum, Michael Bublé, Rod Stewart, Phil Collins, e o que mais a agradar
Engraçada, insegura, inteligente e fiel
Temperamental, impulsiva, mal-humorada e melancólica
Melhorar sempre é uma ordem
Deus está sempre ao seu lado
Agradece a você, que faz esse blog mais feliz!
Ponto.de.Encontro
"Mais que vencedor eu sou!"
(Rom.8:37)
Domingo, Maio 27, 2007
Cachinhos
Démodé. Assim eu defino meu cabelo. Minha mãe diz que parece que eu saí de um filme antigo, então acho que o adjetivo, assim mesmo, em francês, define bem meu conjunto de cachinhos. Ora, em uma época em que a moda é liso, cachinhos só podem ser...bem...fora de moda. Até o cinema faz referência a isso. Em "Um lugar chamado Notting Hill", um dos amigos do personagem de Hugh Grant, que tenta encontrar pretendentes para o moço depois que ele leva um fora de Julia Roberts, diz, de acordo com a legenda em português, que a pretendente tem um cabelo estranho, mas a versão original, que não me escapou, seria traduzia literalmente como "encaracoladamente fora de moda". Em "De repente 30", a personagem de Jennifer Garner diz, na cara da inimiga: "seu cabelo é encaracolado e eu não gosto de você". E em "O casamento do meu melhor amigo", Cameron Diaz, espumando de raiva ao perceber que Julia Roberts quer lhe roubar o noivo, xinga-a de "cabeluda" - uma referência ofensiva às madeixas cacheadas da moça. Entretanto, ser out of fashion não me impede de receber elogios uma semana sim, outra também. Porque essa é freqüência com que me aparece alguém que, encantado(a) com o cacheado, diz: "Ah, que lindo! É natural?" A estagiária até ri quando alguém pergunta isso, porque todo mundo pergunta a mesma coisa. Vejamos, a penúltima senhora que me apareceu, disse: "Que cabelo lindo! Eu queria ter uns cachinhos assim, mas meu cabelo só arma! É natural? Parece cabelo de boneca!" E a última, uma conselheira tutelar, saiu-se assim: "Seu cabelo é natural? Que bonitinho! Mas a cor não, né? Senão, seria bondade demais da Mãe Natureza!" E por aí vai.
Há alguns meses, ia do cartório para a secretaria do Fórum quando passei por um rapaz que vinha na direção contrária. No caminho de volta, coincidentemente nos cruzamos novamente, e ele disse: "Menina, adorei seu cabelo!" Eu tive que rir. Semanas mais tarde, uma senhora: "Minha filha, seu cabelo é assim mesmo?" E blá blá blá.
No salão de beleza, então...nem se fala. Dia desses eu estava num salão, e enquanto a cabelereira pintava meu cabelo (sim, porque a cor não é natural), a dona observava-a atentamente. Até que não resistiu e perguntou: "Seu cabelo é natural?" A cabelereira mesma respondeu, animada e rimada: "Os cachos são, a cor não. Lindo, né?" E semanas depois, um homem me observava encafifado enquanto a moça retocava a raiz. Pensei: "Ele vai perguntar se é natural..." e não demorou para que a pergunta viesse, antes que ele caísse duro de curiosidade. Quando fui a outro salão para ver se conseguia fazer escova definitiva (sim, eu tentei, mas os cachos não resistiram ao teste...), a cabelereira ficou chocada: "Se eu tivesse um cabelo assim, eu nunca alisaria! Olha que lindo, fulana!" E saí de lá do mesmo jeito, "curly girl".
Todas as artistas que conheço que têm um cabelo como o meu renderam-se ao liso total, senão, vejamos: Cláudia Raia (lembram-se da Tancinha de "Sassaricando"?), Christiane Torloni (e a Jô de "A gata comeu"?), Isabela Garcia (em "Bebê a bordo", alguém lembra?) e Nicole Kidman (a loura selvagem de "Dias de Trovão"?). Alguma delas ostenta o cabelo natural hoje em dia? Ninguém, ninguém! E é por isso que todo mundo me pergunta se é natural, porque não se vê mais esse tipo de cabelo, que é expécie extinta - eu devo ser a última viva, e acho que deveria ser considerada patrimônio da humanidade pela ONU.
Pra quem não se lembra dos cabelos das beldades citadas, aí vai uma foto de outra beldade, Mary Elizabeth Mastrantonio, que, como Marian (taí a donzela de filme antigo...) em "Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões", ostentava cabeleira com cachinhos idênticos aos meus, embora meu cabelo seja mais curto, menos cheio, e bem mais claro. O engraçado é que, quando eu tinha cabelo escuro, ninguém dizia: "Olha que lindo!" Depois que clareei para um loiro fechado (loiro paquita não, por favor, a não ser que eu quisesse parecer dancarina de grupo de axé...), os elogios não param. Talvez porque a cor clara revele o cacheado que o tom escuro escondia.
Dia desses percebi que o ponto positivo de ter um cabelo assim é que parece que estou sempre pronta para um evento importante. Enquanto outras gastam horas no salão com babyliss, eu lavo, pentei e lá está o babyliss, sem gastar um centavo. Acho que já nasci com cabelo de festa.
E assim prossigo, sem saber, afinal, se gosto de ser diferente, ou se preferia ser igual a todas as loiras de cabelo liso do resto do mundo. Se gosto de parecer saída de um filme antigo, ou se queria ter a cara dos anos 2000. Pelo menos percebi que, em termos de cabelo, ser fora de moda é ponto positivo.
Marian, com seus cachinhos de filme antigo
PS: Vivi, eu não disse que tinha que escrever sobre meu cabelo? Me inspirei em você :D
Andar de ônibus lotado de manhãzinha é fácil: tá todo mundo tomadinho banho. Já no fim da tarde...é o verdadeiro circo dos horrores. Ou eu deveria dizer "dos odores"?
As senhoras gordas que andam de ônibus deveriam fazer um regime e emagrecer pelo bem do restante dos passageiros.
Chato é aquele que puxa conversa com o motorista (que só pode responder "ahã" já que a plaquinha avisa para não conversar com ele) só pra se distrair durante o trajeto.
Ao sai de um ônibus lotado, se a sua calça jeans tiver fecho de pressão, você corre o risco de sair pelada pela porta. A não ser que uma alma bondosa do sexo masculino diga: "Moça, sua calça abriu", o que faz você sentir seu rosto queimar, agradecer rapidamente e abotoar a calça.
O inferno deve ser um ônibus lotado no final da tarde, cheio de senhoras gordas e chatos que puxam papo com o motorista, e onde você corre o risco de praticar ato obsceno sem querer.
Você sabe o que é viver num lugar onde à noite é tudo tão silencioso, mas tão silencioso, tão silencioso, que é preciso deixar um ventilador ligado, mesmo se estiver frio (e nesse caso, você vai deixar o ventilador voltado para a parede), só para ter um barulhinho enquanto você estuda, para que você não se sinta dentro de um filme de suspense? Pois é, eu sei. Minha rua é calmíssima, meus vizinhos são as pessoas mais tranqüilas da face da terra, louvado seja Deus por isso, e ontem, mesmo com o ventilador ligado, o silêncio era tão palpável que eu me senti dentro de um filme de Hitchcock. Sinistro, muito sinistro. Acho que vou arranjar outro ventilador...
Estou ouvindo James Morrison. Pois é, outro britânico. Aos 21 o mocinho ganhou o British Awards 2007 de melhor cantor, e...sinceramente? Me apaixonei pelo garoto. Ele toca rhythm & blues e tem aquele tipo de voz "com areia" que eu a-d-o-r-o. E minha mãe, psicanalista que é, explicou o fenômeno, quando lhe "apresentei" um vídeo do Morrison: "Sabe por que você gosta desse tipo de voz? Por que seu pai também tem uma voz assim, com essa "areinha". Quando você encontrar um cara assim, com esse tipo de voz, vai ser tiro e queda, você não vai resistir..." E ainda explicou o nome científico do fenômeno, que agora não me lembro. E eu nem nunca tinha reparado que meu pai tinha uma voz assim...e sabe que eu sou mesmo ligada nesse negócio de voz? Às vezes o cara pode ser interessante, atraente, mas se quando ele abre a boca sai um voz completamente diferente da que você tinha imaginado...todo o encanto se quebra hohoho. A voz nem pode ser feia, mas se você acha que o cara tem voz de baixo ou barítono, que são graves, e quando ele diz "oi, tudo bem..." vem uma voz de tenor, que são mais agudas...já era hohoho.
Ganhei um elogio de Sua Excelência. Redigi um ofício em cumprimento a um despacho urgente que ele tinha proferido, e quando ele leu o ofício para conferir antes de assiná-lo, disse: "Muito bem, você melhorou a minha redação: eu tinha esquecido de colocar o nome da instituição no início, coloquei no final e acabou ficando meio truncado". E ao me entregar o processo, disse, enfático, brincando: "Vai escrever bem assim lá em (cidade onde moro)!" Hohoho. Tá, eu sei que tenho uma ótima redação (e sou convencida, sim hihihi), mas ouvir um elogio do chefe faz um bem pro ego, né?