"Os teus sonhos são Meus
Teus problemas são Meus
Tua vida também
É Minha vida
Eu de ti cuidarei
Nunca te deixarei
Os teus sonhos Eu realizarei
Vou te levar, te conduzir
E quando você alcançar
Saberá que em todo tempo Eu estive ao teu lado"
("Sonhos", álbum Reverência, de Chris Durán)
:Quem é essa garota?:
Priscila, 27, capixaba de olhos negros e riso solto
Concebida em Salvador, mas com alma cosmopolita
Mora sozinha no interior, fins de semana na capital
Direito no diploma, servidora estadual efetiva, Ministério Público na cabeça
Paixão por línguas; inglês é bom pro chat, alemão, pro coração
Camarão, pão de queijo e sorvete italiano são bem-vindos
39 no pé, magra sempre esbelta, loira há três anos
Dança de salão aos sábados, piano clássico por dez anos, fotografia nos planos
Jamie Cullum, James Morrison, Texas, Michael Bublé, Corinne Bailey Rae, Rod Stewart, Phil Collins, e o que mais a agradar
Engraçada, insegura, inteligente e fiel
Temperamental, impulsiva, mal-humorada e melancólica
Melhorar sempre é uma ordem
Deus está sempre ao seu lado
Agradece a você, que faz esse blog mais feliz!
Ponto.de.Encontro
"Mais que vencedor eu sou!"
(Rom.8:37)
Sábado, Junho 30, 2007
Arraiá capitalista
Inventa-se de tudo nessa vida. Até arraiá dentro de supermercado. Essas fotos foram tiradas hoje mesmo, num grande supermercado da região. E os dançarinos, que imagino serem os próprios funcionários, estavam se divertindo horrores. E nós, os clientes, morrendo de vontade de brincar e dançar também! :)
Eu: (procurando o livrinho do Estatuto da Criança e do Adolescente) Cadê o Ecriad? Vocês comeram o Ecriad, e tomaram chá mate junto!
Mari: (tirando o Ecriad de debaixo da mesinha do café): Tá aqui, ó!
Estagiária: (rindo) Ah, que safada! Ela escondeu para comer mais tarde!
Mari: Eu juro que só comi duas folhas!
Corta.
2º ato - gabinete do juiz:
Chefinho: Dá um sorriso pro juiz, que ele tá te avaliando...
Eu: (fazendo cara de medo pro Chefinho, responde com a mesma cara de medo)
Juiz adjunto: (com cara de mau) Já avaliei e já mandei!
Eu: (com naturalidade infantil) Ei, peraí...mas eu tinha que ter visto, o servidor tem que tomar ciência!
Juiz adjunto: (erguendo a sobrancelha, primeiro, desconfiado, depois, percebendo que tinha sido pego no flagra, fala rudemente) Você acha que eu vou perder meu tempo mostrando formulário pra funcionário?
Eu: (com naturalidade infantil) Acho!
Juiz adjunto: (sem saber o que fazer, grunhe um resposta ininteligível): Seiaem o bediun da caximielo aei chucoaque!
Corta.
3º ato - sala da Equipe
Psicóloga da equipe do Fórum: E como vão as baladas? Deve estar cheio de gatinho atrás de você! Novinha, bonita, com um emprego estável, um bom salário...qual o nome da sua mãe?
Eu: (rindo, morta de vergonha): Sonia...
Psicóloga: Os meninos devem ficar na porta da sua casa: "Ô dona Sonia, cadê a Priscila?"
Eu: (gargalhando, morta de vergonha, sinto o rosto queimar e faço uma saída estratégica pela esquerda...)
Corta. Fim.
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É tão bom me sentir assim, como estou me sentindo. É tão bom me sentir feita de carne e osso, e não de papel, vidro, aço, metal ou pedra. Porque antes era assim que eu me sentia - eu não parecia feita de sangue e carne. É tão bom poder abraçar alguém, beijar e cumprimentar, sentindo o calorzinho do afeto por dentro, e não uma pedra de gelo. Eu sou uma pessoa nova, sabe? Alguém que sente afeto e carinho pelos outros, que vê o que acontece ao seu redor, que sabe que existem mais pessoas além de si mesma.
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É uma pena que o poder do amor não impeça que coisas ruins aconteçam às pessoas que amamos. Ele acabou de perder o pai, e eu não posso fazer nada. E apesar de gostar dele do fundo do coração, também não pude fazer nada para evitar que o sofrimento lhe sobreviesse.
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É, povo. A vida é dura pra quem é mole.
Beijos.
(Só agora notei que escrevi "carpe diem" duas vezes errado no post anterior :P)
Uma das capacidades que adquiri, por conta da terapia, é a de fazer as pessoas rirem. De repente, algo acontece, e lá estou eu fazendo graça, levando o povo às gargalhadas. Eu amo isso. Gosto de fazer as pessoas rirem, e gosto de gente que me faz rir. Mas antes da terapia eu me reprimia, e só quando estava muito relaxada ou despreocupada é que consegui arrancar risos de alguém, mesmo assim, com certo medo de que a outra pessoa não achasse graça nenhuma. Mas agora eu descambei, fiquei impossível. E confesso, me preocupei. Afinal, que diabos de veia cômica é essa? Depois, na terapia, descobri que afinal...essa sou eu! Sou mesmo engraçada, gosto de fazer gracinhas, de tirar humor de situações chatas, de, ao invés de me irritar, rir. Porque rir, é como dizem, é sempre o melhor remédio. E, no final das contas, também estou aprendendo a viver. A aproveitar cada momento, a gozar a vida, as pessoas, os relacionamentos. Antes eu não entendia o sentido do "momento". Parecia que eu estava sempre em busca de algo que não sabia o que era. O "aqui e agora" não existia. E em que aflição eu vivia!
Eu entendi, afinal de contas, o que significa o "carpe diem". Carpe diem é aproveitar o momento, o agora, este instante. Porque ele passa e não volta. Aproveite porque hoje você está feliz, porque hoje o sol está brilhando, porque hoje você não está com dor de barriga; aproveite porque hoje você tirou uma boa nota, porque tem um emprego, porque ainda tem seus pais; aproveite porque está de bom humor; aproveite as pequenas coisas engraçadas do dia, deixe a seriedade de lado um pouco, aproveite um naco de conversa com alguém simpático, brinque com estranhos, faça os outros rirem, ria, ria, "ria às bandeiras despregadas!", não leve tudo tão a sério, não se leve tão a sério, porque a vida passa rápido, porque o momento se extingue num segundo. Carpe diem: aproveite o momento, não perca o "agora"!
Algumas pessoas pensam que para mudar o mundo é preciso ser radical. Eu acho que para mudar o mundo é preciso bem menos que isso.
Dia desses eu entrei no elevador com um homem cuja aparência mostrava ser um trabalhador braçal. Ele levava uma lâmpada de emergência, e pelo que entendi da sua conversa com o porteiro, iria instalá-la no corredor do último andar. Em sua vestimenta simples, sua camisa me chamou a atenção. Ela dizia: "Eu fiz uma criança feliz neste Natal". Seus pés calçavam chinelos bem simples. Os meus, um par de sapatênis novinho. Quando o elevador chegou no meu andar, ele, muito educadamente, abriu a porta para eu passar, já que eu carregava duas bolsas pesadas. E então pensei: é um homem com espírito voluntário e solidário, muito educado, que ganha muito menos do que eu porque a única coisa que determina a diferença de nossos salários é o fato de que meu trabalho é considerado intelectual, e o dele, braçal. Eu fiz faculdade, ele, não. E ponto.
Tive um professora de Geografia de quem nunca me esquecerei. Ela não ensinava apenas Geografia, ela nos ensinava a pensar. No mundo, na política, na desigualdade social. Certa vez, em uma prova (suas provas era geralmente discursivas), ela perguntou: "O que é necessário para acabar com a desigualdade social?". Eu parei. E pensei. E não encontrei resposta. E escrevi, humildemente - já que tinha respondido a todas as outras perguntas - que não sabia. Ao receber a prova, além dos "parabéns" pela boa nota, percebi que ela havia escrito, com sua bela letra, a resposta certa: "quando o trabalho for mais valorizado que o capital".
Na época do estágio, fui contratada por um advogado cuja maneira de pensar me impressionou. Ele empregava dois advogados e mais outro estagiário, e sempre dizia que, se o escritório estava crescendo, então todos deveriam usufruir dessa prosperidade. Como prova disso, ele aumentava o salário dos advogados conforme o aumento da receita do escritório. O salário dos estagiários obviamente não aumentava, porque estagiário é sempre estagiário, mas ele era justo o bastante para nos pagar os vales-transporte necessários, e tíquetes-alimentação cuja metade do valor me permitia almoçar num ótimo restaurante.
É óbvio que esse advogado queria ganhar dinheiro. É óbvio que ele queria crescer, ser rico e próspero. Só que, segundo seu senso de justiça, ele acreditava que, se obtinha prosperidade, esta não deveria beneficiar somente a ele, mas a todos os que trabalhavam com ele. Essa é a noção de valorização do outro que não se vê no mundo atual. Essa é a idéia que não é pregada atualmente: de que as pessoas é que são importantes e, conseqüentemente, o trabalho que elas desempenham é mais importante do que o dinheiro. E essa simples idéia, essa simples noção, se aplicada por todos os detentores dos meios de produção, do capital, já seria suficiente para mudar o mundo. Não é preciso uma revolução. Não é preciso mudar o sistema. Só é preciso mudar a maneira de pensar, de enxergar a vida, o outro. Para mudar o mundo, só é preciso ser flexível.
Eu estava preparada para cinco dias off: quinta, sexta, sábado, domingo e segunda. Tirei um abono na segunda para fazer uns exames, crente que na sexta teríamos ponto facultativo e eu iria emendar um feriadão. Mas a quarta chegou, e o ponto facultativo não veio. Fiquei jururu, claro. Primeiro pensei em pedir ao chefe para faltar na sexta e compensar depois, depois resolvi que era melhor não, que era melhor mudar os planos, ligar para a clínica e ver se eles iriam funcionar na sexta - e eu precisava dos exames. Meu chefe sabia que eu tinha planejado cinco dias de folga, porque eu tinha pedido para tirar o abono na segunda, e ele tinha respondido: "Claro que você pode, você pode tudo o que você quiser". Mas não deixou de me zoar, dizendo que eu iria namorar os cinco dias direto. Quando a folga oficial na sexta não veio, ele sabia que meus planos tinham ido por água abaixo. E aí, lá pelo meio do expediente, ele veio ao cartório e disse: "Agora eu vou provar como eu gosto de você". Abraçou e cumprimentou Mari, abraçou e cumprimentou a estagiária, e como eu estava sentada, ele veio, beijou meu cabelo e perguntou para Mari: "Você vem na sexta?". Mari confirmou. Perguntou o mesmo para a estagiária, e ela confirmou. E aí ele disse: "Então eu vou deixar você faltar na sexta, mas é coisa nossa, se alguém perguntar cadê Priscila? Priscila passou mal e foi para o hospital". Hohoho. E completou: "Viu como eu gosto de você? Agora ela ficou feliz". Eu, obviamente, estava contentíssima. E a estagiária, olhando para mim e sorrindo, completou: "O que a gente não faz para ver um sorriso nesse rosto"? E isso meu deixou toda boba, claro.
Eu que, antes da terapia, achava que ninguém gostava de mim, tenho tido provas demais de que as pessoas gostam sim ;)